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Mercado financeiro

Em dia histórico, Bovespa chega a cair 15% e pára por duas vezes

Mecanismo do “circuit breaker” foi acionado em duas ocasiões na manhã de ontem para acalmar ânimo dos investidores

Trajetória da Bovespa nesta segunda-feira |
Trajetória da Bovespa nesta segunda-feira (Foto: )

Os mercados reagiram com pânico à perspectiva de uma piora na crise financeira, desta vez no continente europeu. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) enfrentou um dos piores pregões de sua história: chegou a cair mais de 15% e teve suas operações interrompidas por duas vezes. O dólar disparou 7,43%, para R$ 2,198.

Quando o mercado doméstico abriu, as bolsas despencavam na Europa. No fim de semana, notícias de dificuldades no setor financeiro europeu sinalizavam que o dia poderia ser ruim no mercado ontem. Mas dificilmente alguém imaginava que seria tão negativo.

A Bolsa de Paris fechou com desvalorização de 9,04%. A Bolsa de Londres recuou 5,77%; a Bolsa de Frankfurt perdeu 7,07%. E a Bolsa de Milão perdeu 8,24%. Nos EUA, epicentro da crise, o índice Dow Jones chegou a recuar 7,75%, mas encerrou com queda de 3,58%.

Na Bovespa, o que se viu foram investidores em correria para se desfazer de ações o quanto antes. Isso levou a Bolsa a ser obrigada a acionar o "circuit breaker’’ menos de 20 minutos após a abertura.

O "circuit breaker’’ é acionado quando a Bovespa atinge queda de 10%, sendo o pregão interrompido por 30 minutos. A intenção é a de evitar que o pânico continue derrubando as ações. Só que a parada não melhorou o clima no mercado. Às 11h44, a Bovespa alcançou 15% de queda, e o sistema foi novamente acionado – com o pregão sendo interrompido, dessa vez, por uma hora. Se em algum momento a queda chegasse a 20%, o pregão seria interrompido até as 16h30.

A bolsa apenas passou a cair menos de 10% na última hora de pregão, em um momento em que as perdas em Wall Street se arrefeciam e o governo brasileiro anunciava medidas para atenuar os efeitos da crise (leia mais na página ao lado).

Mesmo assim, o índice Ibovespa encerrou aos 42.100 pontos, em seu mais baixo nível desde março de 2007. Na mínima do dia, bateu em 37.616 pontos (em queda de 15,5%).

"Temos visto dias de extremo nervosismo, e hoje [ontem] foi um dos mais intensos. E nada impede que tenhamos períodos ainda muito voláteis até o fim do ano. Quem quiser entrar na bolsa vai ter de estar preparado para fortes emoções’’, diz o economista Francisco Pessoa Faria, da LCA.

"Blue chips"

As duas ações mais tradicionais da bolsa, as da Petrobras e da Vale, viveram momentos de intensa oscilação. A ação preferencial da Petrobras encerrou com baixa de 3,22%, depois de marcar depreciação de 19,35% no pior momento do dia. A ação PNA da Vale viveu um dia parecido: caiu 18,9% na mínima e encerrou o dia com baixa menos intensa, de 6,8%.

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