Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
navegação

Em Paranaguá, uma espera de US$ 137 milhões

Valor refere-se às multas pagas em 2011 pelos contratantes da carga aos donos dos navios em decorrência de paralisações no porto – como as provocadas pela chuva, na semana passada

Operação de embarque de grão em Paranaguá: coberturas tornariam o processo mais rápido | Henry Milleo/ Gazeta do Povo
Operação de embarque de grão em Paranaguá: coberturas tornariam o processo mais rápido (Foto: Henry Milleo/ Gazeta do Povo)

O longo tempo de espera para que os navios atracassem no Porto de Paranaguá no ano passado gerou US$ 137 milhões em demurrage – multa paga pelo contratante da carga ao dono da embarcação quando a demora no porto ultrapassa o prazo acordado. Se fosse revertida para a administração portuária, a quantia seria suficiente para realizar parte das obras necessárias para modernizar e tornar mais eficiente o terminal, inclusive a instalação de cobertura no corredor de exportação. Atualmente, ao menor sinal de chuva, as operações no cais são suspensas, ocasionando aumento da fila de navios ao largo (longe do porto, à espera de liberação para chegar ao cais) e perdas de prazos de contratos.

De acordo com a Admi­nistração dos Portos de Para­naguá e Antonina (Appa), o mau tempo nos últimos 30 dias significou 12 dias, 22 horas e 45 minutos de paralisação na movimentação de grãos no corredor de exportação, suficiente para a fila de navios alcançar tamanho recorde no ano. Ontem, o site da autarquia registrava 87 navios ao largo e outros 25 esperados para as próximas 48 horas, sinal de que a demurrage deste ano deve superar o valor de 2011. "Fila é sinônimo de ineficiência. Esse tipo de multa é a pior coisa que existe, pois não gera riqueza", afirma João Gilberto Cominese Freire, diretor do Sindicato dos Operadores Portuários do Paraná (Sindop).

Coberturas

Dependendo do tamanho da embarcação e da carga, a demurrage por dia de atraso é de US$ 30 mil. A espera média é de 40 dias – o dobro de tempo necessário para um navio atravessar o Atlântico. "Essa multa acaba sendo repassada para toda a cadeia produtiva", ressalta Nilson Hanke Camargo, assessor técnico e econômico da Federação de Agricultura do Paraná (Faep). Ela custa caro aos exportadores de grãos e importadores de insumos (como fertilizantes), que acabam cobrando mais de outros clientes, de modo que a conta pode chegar até o consumidor final.

A Appa tem em mãos alguns projetos de cobertura para o terminal, o que reduziria as paralisações provocadas pelas condições climáticas. Mas ainda analisa a eficiência do investimento, já que, segundo a administração, não existe garantia de resultado. "Não há nenhuma cobertura funcionando no Brasil", aponta Luiz Henrique Tessutti Dividino, superintendente da Appa.

A cobertura pode ser para o navio inteiro ou apenas para os porões que estiverem sendo carregados. A primeira opção custa US$ 60 milhões. A cobertura por porão é mais barata: a de material rígido custa US$ 6 milhões por carregador e a de lona, US$ 1 milhão. Geralmente são usados dois carregadores por navio.

Na tentativa de minimizar problema semelhante aos do terminal paranaense, o Porto de Santos investiu R$ 70 milhões na instalação do modelo fixo de cobertura metálica, que lembra a marquise de um estádio de futebol, para cobrir o berço de atracação do terminal sul. O protótipo, que ainda está em fase de testes, promete suportar chuvas com inclinação de até 41 graus.

Obras

Outras obras prometidas pela Appa e pelo governo estadual poderiam sair do papel por custo menor que o pago em demurrage no ano passado. Com o valor é possível fazer as dragagens de manutenção do berço do porto, da bacia de evolução, do Canal da Galheta e aprofundamento. O dinheiro também permitiria a construção de um novo silo com capacidade para armazenar 60 mil toneladas de grãos.

"Ninguém quer operar em um porto ruim, e Para­naguá tem um sobrepreço para trabalhar", diz Luiz An­tonio Fayet, consul­tor logístico e conselheiro do porto. "Carga não aceita desaforo. Depois que um porto perde um grande cliente porque esse mudou a logística, não recupera mais. Paranaguá corre esse risco", complementa Freire, do Sindop.

É bom lembrar que a demurrage não chega ao cofre da Appa. Ela é paga aos donos dos navios – que, provavelmente, prefeririam uma operação pontual, de modo que pudessem captar outros contratos. A multa é um importante sinal de ineficiência, que eleva os custos de operação em Paranaguá.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.