O movimento de realização de lucros que se espalhou pelos mercados de ações e commodities abateu a bolsa brasileira, que nesta terça-feira conheceu sua maior queda diária em cinco semanas.
O Ibovespa fechou o dia desvalorizado em 1,88 por cento, aos 55.761 pontos. O movimento financeiro da sessão totalizou 5,35 bilhões de reais.
Diferente da rotina recente, desta vez o investidor deu mais atenção às notícias negativas. Uma delas foi a de que os estoques no atacado dos EUA tiveram em junho a décima queda mensal seguida, atingindo o menor nível em mais de dois anos. A queda ante maio foi quase o dobro da estimada por analistas.
Além disso, os investidores de Wall Street repercutiram o relatório de um analista renomado do setor bancário, avaliando que os fundamentos do setor nos EUA ainda precisam melhorar. Os bancos puxaram a queda de 1,03 por cento do índice Dow Jones.
Na bolsa paulista, a apatia do investidor com o segmento foi temperada com o balanço do Itaú Unibanco, que reportou queda de 8,1 por cento no lucro líquido do segundo trimestre, em meio ao aumento das despesas com inadimplência. A ação do grupo caiu 4,1 por cento, para 34,60 reais.
Um ingrediente que ajudou a colocar pressão nos negócios foi a divulgação de que as importações feitas pela China caíram pelo nono mês seguido em julho, levantando suspeitas sobre o vigor da economia local, derrubando os preços das commodities.
As blue chips sucumbiram a esse movimento. A preferencial da Petrobras recuou 2,7 por cento, a 31,22 reais, enquanto a preferencial da Vale encolheu 2,2 por cento, a 32,34 reais.
"As notícias do dia não foram boas, mas não são nada espetacular. O investidor estava mesmo era procurando um pretexto para realizar lucro", disse o economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Newton Rosa.
Não que o noticiário internacional tenha sido o único mote para os investidores decidirem embolsar ganhos. ALL por exemplo desagradou os investidores, apresentando declínio de 34 por cento no lucro trimestral, o que levou sua unit a recuar 3,2 por cento, para 13,15 reais.
Alvo de realização de lucro um dia antes da divulgação do resultado trimestral, Braskem afundou 4,65 por cento, a 10,25 reais, com o pior desempenho no Ibovespa.
Para completar, Redecard tombou 4,5 por cento, a 26,50 reais, depois que o Goldman Sachs reduziu o preço-alvo das ações da companhia.
Entre as poucas que se salvaram da maré de perdas, BM&F Bovespa, que divulga seus resultados ainda nesta terça-feira, subiu 2,3 por cento, a 12,56 reais.



