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‘Boom’ das microcervejarias artesanais impulsiona até o setor turístico

Há desde fornecedores de insumos e equipamentos até aplicativos e guias turísticos para atender o mercado de cerveja especial no país

  • PorJéssica Sant’Ana
  • 15/06/2016 22:00
Cervejarias do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, se uniram para criar roteiro turístico baseado na bebida | Divulgação/
Cervejarias do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, se uniram para criar roteiro turístico baseado na bebida| Foto: Divulgação/

O aumento expressivo no número de microcervejarias artesanais no país movimentou a cadeia de valor do setor. Nos últimos anos, surgiram diversas empresas especializadas em atender as demandas de fabricantes de cerveja. Desde fornecedores de insumos e equipamentos até aplicativos e guias turísticos especializados na bebida.

Uma das ideias estimuladas pela nova demanda foi a de desenvolver um barril de cerveja 100% reciclado para substituir os tradicionais barris de vidro ou inox. O projeto começou há dois anos e meio, quando Hamilcar Pizzatto Neto e Renato Araújo perceberam a oportunidade de negócio. Os dois são sócios de uma cervejaria artesanal na região de Curitiba e precisavam diminuir os gastos com o barril importado, que aumenta o custo do litro da cerveja em, aproximadamente, R$ 4.

Oportunidades

Confira quais são os negócios e demandas geradas pelas microcervejarias artesanais:

  • Micromalterias
  • Fábrica de tanque de fermentação e barris
  • Produtoras de fermento
  • Consultorias e distribuidoras
  • Empresas de souvenir
  • Agências de turismo
  • Bares e lojas especializadas
  • Sommelier
  • Escolas e cursos de cerveja.

Eles foram para Alemanha, China e Estados Unidos estudar as soluções disponíveis no mercado e voltaram com a ideia de criar um barril de garrafa PET. Como não havia nada parecido no país, passaram a desenvolver a matéria-prima, a válvula que veda o chope, a alça do barril e todo o processo de sanitização e a migração de oxigênio. Também projetaram as máquinas que fazem o barril.

Neste mês, lançaram o BeerKeg no mercado e já conquistaram cerca de 30 clientes. A fábrica, em Araucária, conta com cinco funcionários, além dos sócios – que inclui também Eduardo Liz Martins – e tem capacidade para fabricar 1,2 mil barris por dia. A expectativa de crescimento é grande.

A vantagem do produto é ser simples e fácil de transportar. Ele pesa 640 gramas e não precisa retornar ao fabricante, sendo descartado após o uso. O preço também é atrativo, variando de R$ 60 a R$ 85. “Cerveja artesanal já é uma cerveja cara. E se você gasta muito com embalagem, isso impacta no preço”, diz Araújo. “Tem muita cervejaria abrindo, então eles estão muito focados no preço. E tudo o que ajudar a reduzir o preço por litro tem espaço”, completa.

Segundo o professor Carlo Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), o mercado de microcervejarias está em franco crescimento no país e já existem cerca de 400 fabricantes. “Com a revolução industrial, nasceram as megas cervejarias. Agora, vemos uma reversão dessa tendência, com o fortalecimento de cervejarias artesanais”, afirma Brassiani.

BeerKeg em açãoPedro Serapio/Gazeta do Povo

O resultado é o amadurecimento do mercado, que começa a ganhar forma com o incremento na cadeia de valor. O primeiro movimento, segundo o especialista, é a adaptação das indústrias que já atendem produtores de bebidas ou criação de novas empresas para fabricação de equipamentos e insumos.

Entre as principais demandas estão as micromalterias, produtoras de levedura e fabricantes de tanques de fermentação. Depois, surgem os negócios que atuam especificamente para movimentar e fortalecer o setor, como distribuidoras, bares especializados, rotas turísticas e escolas de negócio.

Malteria catarinense fabrica insumos que hoje são importados

Os maltes especiais, utilizados para fabricação de cerveja artesanal, são, na grande maioria, importados. O fato não é exceção dentro do mercado de microcervejarias artesanais, que dependem de muitos insumos e equipamentos vindos do exterior.

Para mudar esse cenário, a Malteria Blumenau, de Santa Catarina, se especializou na produção de malte especial 100% brasileiro. A cevada vem do Paraná e toda a produção é feita na fábrica catarinense, que opera 24 horas ininterruptas durante os cinco dias úteis da semana. Com um ano de funcionamento, o investimento inicial de R$ 700 mil ainda não foi recuperado, mas a empresa já produz 12 toneladas por mês. A expectativa é encerrar o ano produzindo 14 toneladas.

“Precisamos conquistar a confiança das cervejarias”, afirma Rodolfo Rebelo, sócio da Malteria Blumenau. Ele explica que, como os produtores estão acostumados com o item importado, ainda leva tempo até trocarem pelo nacional. Segundo o empreendedor, a troca vale a pena, pois além de pagar de 10% a 30% menos, fortalece o ecossistema microcervejeiro local e a produção de cerveja com raízes brasileiras.

Empresas apostam em atrair e reter clientes

Todo o movimento de microcervejaria artesanal e a sua cadeia de valor só faz sentido por causa da crescente procura pelo produto.

De olho nesse potencial e com o intuito de fomentar ainda mais o setor, diversas entidades e fabricantes de cerveja de Santa Catarina se uniram para criar o Vale da Cerveja, na região do Vale do Itajaí. São 11 microcervejarias, diversos bares e restaurantes e alguns hotéis que compõem o roteiro que envolve algumas cidades.

Os clientes podem fazer o passeio por conta própria ou contratar uma agência especializada, que oferece o serviço de transporte com guia. “Cada momento, vemos mais turistas querendo conhecer as cervejarias da região”, diz Carlo Lapolli, presidente da Associação das Microcervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc).

O aplicativo Beer Plus, que funciona como um sommelier on-line, também surge para atrair e reter mais clientes dentro do universo da cerveja artesanal. Desenvolvido por Sidnei Conradt, o sistema funciona como uma lista, em que você pode marcar e avaliar as cervejas que bebeu.

Lançado em abril, o aplicativo já possui mais de 15 mil rótulos cadastrados, entre marcas nacionais e internacionais. “Sentia falta de ter um lugar em que pudesse registrar minha experiência cervejeira”, explica Conradt. O Beer Plus entra para suprir essa lacuna e, em um futuro próximo, virar uma rede social dos apreciadores da bebida.

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