
Impulsionados pela safra agrícola, os municípios do interior encerraram o primeiro semestre com os maiores índices de crescimento no nível de emprego formal no estado. Enquanto na região metropolitana de Curitiba (RMC) o emprego cresceu 4,47%, o interior apresentou índice de 6,37%, respondendo por 68% do saldo total no estado com destaque para os municípios com menos de 50 mil habitantes.
Segundo o Balanço no Nível de Emprego Regional Paranaense, divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Paraná criou aproximadamente 110 mil vagas nos seis primeiros meses de 2008, melhor marca para um primeiro semestre desde o ano de 1992.
Todas as dez regiões geográficas (mesorregiões) parananaeses tiveram aumento no nível de emprego, quatro delas com criação de vagas acima da média. "Os números do primeiro semestre são influenciados diretamente pela sazonalidade do setor agrícola, mas a maior participação do interior na geração de empregos é uma tendência que vem se solidificando", aponta o economista do Dieese, Sandro Silva.
O desenvolvimento da indústria da cana-de-açúcar fez do Norte Pioneiro a região com maior geração de vagas, apresentando variação de 12,55% em relação ao mesmo período do ano passado (leia matéria ao lado).
O Noroeste do estado apresentou crescimento de 12,10%, impulsionado pelo desempenho das cidades de Paranavaí, Cianorte e Umuarama.
A cidade de Paranavaí, a 70 quilômetros de Maringá, teve o maior índice de geração de empregos em todo o estado. O crescimento de 10,99% no nível de emprego foi impulsionado pela avicultura e produção de álcool.
Segundo o secretário municipal do desenvolvimento econômico, Tom Spigolin, contratos para exportação de carne de frango motivaram o setor. "O frigorífico de aves hoje exporta 70% da produção e é responsável direto pela geração de mais de mil novos empregos", diz.
A agricultura, de acordo com o secretário, oferece vagas sazonais, com a cana-de-açúcar e a laranja. "No período que compreende o corte da cana, mais de 800 trabalhadores são contratados e, no final da safra, uma boa parte migra para a colheita da laranja", explicou o secretário.
Conhecida como a capital da moda do Paraná, Cianorte oferece grande número de vagas no setor da confecção. A cidade possui 450 fábricas de roupas e acessórios e 600 lojas espalhadas pelo município.
O chefe da agência do trabalhador de Cianorte, Roberson Morales, diz que sobram vagas na cidade. "As empresas precisam de pessoal qualificado e muitas vezes as vagas não são preenchidas." Ele lembra também de outro setor que foi impulsionado pela indústria da moda: "Há também grande oferta de vagas em lavanderias que atendem às fábricas de roupas."
Das três cidades de destaque no Noroeste do estado, Umuarama apresentou acréscimo de 6,76% no número de pessoas contratadas. O município destaca-se na produção de álcool. Uma usina instalada na região responde por mais de mil empregos diretos e outros mil indiretos.
Desempenho fraco
A região com o pior desempenho foi a dos Campo Gerais (1,79%), influenciada pelas demissões nos setores madeireiro e de papel e celulose. O principal fator foi a desmobilização do projeto de ampliação da Norske Skog Pisa, em Jaguariaíva, que já havia contratado mão-de-obra para a instalação de uma segunda linha de produção e desistiu do projeto. Em Telêmaco Borba, a Klabin finalizou a ampliação de sua unidade, demitindo funcionários contratados em regime temporário.




