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Bovespa

Empresas de 15 setores ganharam R$ 242,3 bi em valor de mercado em 2012

Alimentos e bebidas, comércio, papel e celulose, máquinas industriais, veículos e autopeças, têxteis, construção, software, química, transportes, entre outros, se destacaram no ano

Enquanto bancos, empresas de energia elétrica, de petróleo e gás perderam juntas R$ 76 bilhões em valor de mercado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) este ano, até a semana passada, as companhias de outros 15 setores da economia com ações negociadas no pregão trilharam caminho contrário e se valorizam. Levantamento feito pela consultoria Economatica mostra que empresas de alimentos e bebidas, comércio, papel e celulose, máquinas industriais, veículos e autopeças, têxteis, construção, software, química, transportes, entre outros, ganharam juntas R$ 242,3 bilhões em valor de mercado até a semana passada.

"Os setores que mais tiveram ganhos no valor de mercado estão associados ao cenário macroeconômico de queda de juro, queda do desemprego, ganho de renda e maior oferta de crédito. Mas os setores que mais perderam valor, como petróleo e gás e siderurgia e mineração, têm maior peso na Bolsa e são os mais representativos. Por isso, embora 15 setores tenham ganhado valor de mercado e apenas sete perdido, o Ibovespa, índice de referência da Bolsa, está praticamente estável no ano", diz Roberto Altenhofen, analista da Empiricus Research/Investmania.

Na ponta dos setores que perderam valor de mercado é fácil identificar a "mão do governo" como fator negativo. Começou com a cruzada de Brasília para derrubar o spread dos bancos, via Banco do Brasil e Caixa Econômica, refletindo nas instituições privadas. Com o setor de petróleo, especialmente a Petrobras, o governo está adiando um reajuste dos combustíveis, cerca de 10%, para evitar aumento da inflação.

E a mudança de regras no setor elétrico para reduzir o preço da energia em até 20% foi a mais recente intervenção de Brasília. A renovação das concessões para as empresas do setor foi antecipada e as receitas das companhias vão cair, de acordo com analistas do setor. Segundo a Economatica, perderam valor de mercado também os setores de telecomunicações, mineração e siderurgia.

"Como o setor de telecomunicações também está sujeito a regulação, ele entra no radar dos investidores como um possível alvo do governo. E as empresas de telecomunicação terão que investir mais, já que Brasília vem cobrando melhor qualidade dos serviços. O setor de siderurgia sofre pressões judiciais, com cobrança de mais impostos, royalties. Mineração perdeu por causa da queda do preço do minério de ferro, para US$ 86 a tonelada no mercado internacional, além do fator China, já que ninguém sabe qual será o crescimento daquele país", diz Altenhofen.

O destaque entre os setores que mais ganharam valor de mercado fica para alimentos e bebidas. As empresas desses dois segmentos ganharam R$ 59,6 bilhões em valor de mercado. Foram seguidas pelas empresas de comércio, que obtiveram valorização de R$ 34,1 bilhões.

"No setor de alimentos e bebidas temos ações como a da Hypermarcas, que sobem mais de 80% no ano, além de Ambev, Pão de Açúcar, Lojas Americanas, todas com desempenho positivo. No setor de transportes e serviços, ações como as da CCR acabaram recendo fluxo de recursos que antes iam para os papéis de elétricas, considerados defensivos (menos expostos às oscilações da Bolsa)", avalia o analista.

O setor de veículos e autopeças foi beneficiado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Já as ações ligadas a construção se beneficiam do estímulo ao crédito.

"As companhias têxteis e de papel e celulose são diretamente beneficiadas pelo dólar na casa de R$ 2. As ações de papel e celulose vinham sofrendo, mas empresas como Klabin, Suzano e Fibria mostraram evolução dos resultados e ganham com o dólar em alta frente ao real. Além disso, captaram recursos e venderam ativos para se livrar do problema da alavancagem", afirma Altenhofen.

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