Brasília O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem, ao comentar os resultados do Produto Interno Bruto (PIB), que as grandes empresas estão "rachando de ganhar dinheiro" no país. Segundo o ministro, a lucratividade das empresas entre os anos de 2004 e 2006 só tem paralelo com os três primeiros anos da década de 80. "As grandes empresas estão rachando, rachando de ganhar dinheiro. Algumas estão lavando a égua", disse.
O desempenho da economia no segundo trimestre foi comemorado pela equipe econômica. Além de Paulo Bernardo, o ministros da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os números reforçam a projeção do governo de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,5% e 5% este ano. Mantega disse que o resultado consolida o maior ciclo de crescimento econômico desde a década de 90. São 22 trimestres consecutivos de expansão.
Os dois ministros, no entanto, divergem nas previsões para segundo semestre. Bernardo avaliou que a contribuição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a expansão do PIB no primeiro semestre ainda foi pequena, mas acredita que será diferente nos demais trimestres de 2007. Ele apontou também outros fatores que devem impulsionar o crescimento do PIB. Entre eles, o impacto das sucessivas quedas nos juros no primeiro semestre e a expectativa de resultado melhor da agricultura, que no segundo trimestre foi modesto, "como é natural".
Ao contrário do colega, Mantega disse que não espera uma aceleração do crescimento no segundo semestre. Segundo ele, a economia continuará crescendo até o final do ano no mesmo ritmo de hoje. "Nem mais e nem menos. A taxa mais provável para o ano é entre 4,7% e 4,8%."
"Já estamos nessa velocidade. Não vai haver nem aceleração e nem desaceleração", completou. O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse que os números indicam que a economia continua em trajetória de expansão sustentada. Ele destacou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o crescimento do consumo e do investimento tem sido beneficiado pelo ambiente de estabilidade econômica, assegurado por uma maior resistência a turbulências externas e pelo fato de a inflação estar consistente com a trajetória das metas.
Bernardo contou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou "satisfeito" com o desempenho do PIB, especialmente pelo fato de o crescimento continuar sendo puxado pelo aumento do consumo das famílias. "Nós fizemos a política correta nesses quatro anos e meio de governo", afirmou. Mantega e Bernardo também destacaram o crescimento dos investimentos no primeiro semestre. Segundo o ministro da Fazenda, a expansão da capacidade da indústria garantirá o atendimento da demanda, sem gerar pressão nos preços.



