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A farmacêutica brasileira EMS anunciou nesta sexta-feira (6) a assinatura de um acordo para adquirir 100% da Medley, marca de medicamentos genéricos atualmente pertencente à farmacêutica francesa Sanofi. O valor oficial da transação não foi divulgado, mas estimativas de mercado apontam que o negócio pode alcançar R$ 3,2 bilhões (cerca de US$ 600 milhões).
A Medley é uma das principais fabricantes de medicamentos genéricos no Brasil. Com a aquisição, a EMS — que já lidera esse segmento — deve ampliar sua participação no mercado nacional.
Segundo o vice-presidente da empresa, Marcus Sanchez, a compra ocorreu após um processo competitivo que envolveu outras farmacêuticas interessadas.
“Foi um processo extremamente competitivo, com tantas outras empresas de mercado, mas conseguimos concluir junto com a Sanofi a assinatura de um acordo definitivo para aquisição de 100% das ações da Medley”, afirmou.
Entre as empresas que apresentaram propostas estavam as brasileiras Hypera, Biolab e Aché Laboratórios Farmacêuticos, além da indiana Sun Pharma.
A EMS já possui cerca de 23% a 24% de participação no mercado de genéricos no Brasil. Com a incorporação da Medley, a fatia pode chegar a aproximadamente 30%, consolidando ainda mais a liderança da companhia.
A Medley possui uma fábrica em Campinas (SP) e cerca de 900 funcionários. A sede da EMS fica em Hortolândia (SP), a cerca de 20 quilômetros da unidade da Medley.
De acordo com a empresa, a intenção é manter a fábrica e o quadro de funcionários, além de realizar novos investimentos na operação. Há também a possibilidade de construção de uma nova unidade industrial em Manaus, aproveitando incentivos fiscais da região.
Negócio ocorre após visita de Lula a empresa ligada à EMS
A negociação ocorre poucos dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitar uma fábrica da Bionovis, empresa de biotecnologia ligada ao grupo EMS.
Durante a visita, o governo destacou a produção de medicamentos e biológicos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A planta industrial participa de parcerias voltadas ao fornecimento de produtos para o sistema público de saúde e tem projetos financiados por linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Segundo informações divulgadas pela própria empresa, a unidade produz milhões de medicamentos destinados ao SUS, dentro de acordos de transferência de tecnologia e parcerias público-privadas no setor farmacêutico.
O negócio ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, responsável por analisar possíveis impactos concorrenciais.
A expectativa da EMS é que o processo de análise seja concluído ainda em 2026, embora o prazo regulatório possa chegar a até um ano.
A Medley continuará sendo administrada pela Sanofi até o fechamento definitivo da transação.











