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Preços

Ensino fundamental sobe 10% e pressiona inflação em Curitiba

Alimentação foi outro setor que registrou fortes aumentos no mês passado. Capital curitibana fechou fevereiro com IPCA de 0,79%

O comerciante Márcio Schnokemberg e o filho Fernando: família gasta até R$ 3 mil por mês com a educação das crianças | Rodolfo Bührer/ Gazeta do Povo
O comerciante Márcio Schnokemberg e o filho Fernando: família gasta até R$ 3 mil por mês com a educação das crianças (Foto: Rodolfo Bührer/ Gazeta do Povo)
Veja qual foi a inflação em diversos setores |

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Veja qual foi a inflação em diversos setores

A mensalidade do ensino fundamental subiu 10% no mês de fevereiro em Curitiba, o maior aumento do segmento em todo o país, o que ajudou a acelerar em 0,79% a inflação mensal medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Amplo (IPCA) na capital paranaense. Esse é o maior aumento local registrado desde junho do ano passado. No grupo Educação – que engloba desde creches à pós-graduação, além de cursos complementares e materiais escolares – a alta acumulada em Curitiba nos últimos 12 meses atinge 7,7%, índice acima da média nacional, que ficou em 5,79%.

Essa inflação supera até mesmo a projeção do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Paraná (Sinepe-PR), que em outubro de 2009 havia indicado um reajuste médio de 6% nas mensalidades para o ano letivo de 2010. O presidente do Sinepe, Ademar Pereira Batista, diz que não há motivo para o ensino fundamental ter tido aumento superior ao ensino médio, uma vez que o reajuste dos dois é fechado na mesma época – entre setembro e outubro – e vale para um ano inteiro. Para ele, boa parte da elevação nos preços do setor vem de itens como uniforme, livros, material de papelaria e atividades extracurriculares – fatores que também são capturados pelo IBGE. "Inicia a época de faturamento das editoras, das papelarias, de todo este mercado sazonal movimentado no entorno das escolas", diz.

Extracurricular

Um indicador que pressionou o índice calculado pelo IBGE foi o de "cursos diversos", que engloba as atividades extracurriculares: idiomas, informática e esportes são alguns deles. O impacto desse segmento da educação não passou despercebido pela maioria dos pais, como o administrador Everson Paulo Zuba, que abastece regularmente uma planilha com as despesas mais significativas do mês. Apesar de a mensalidade do colégio onde estuda o filho de 11 anos ter aumento 7%, as atividades extracurriculares que são pagas à parte subiram em média 27%. O futebol de salão nem passou por reajuste nesse começo de ano, mas a pancada veio forte nas aulas de violão: subiram de R$ 60 para R$ 90 – ou 50%.

Zuba destaca também o avanço no preço do material escolar, que, segundo ele, superou os 25%. "Pagar quase R$ 100 em um livro de ensino fundamental me parece bastante exagerado", diz. Já as peças de uniforme escolar do ano passado – seis calças, seis camisetas e duas jaquetas – aumentaram 12%, passando de R$ 410 para R$ 460.

Mesmo aqueles pais que não acompanham o dia a dia das contas escolares setiram os aumentos. No caso do comerciante Márcio Schnokemberg, a "administradora oficial" dessas despesas é a sua esposa, que reclamou muito dos preços em fevereiro. "No meu caso, manter dois filhos em escola particular e com plano de saúde significa investir R$ 3 mil por mês", diz. Além da escola, os dois ainda fazem aulas de judô e xadrez.

O advogado Oziel Ribeiro da Silva faz uma conta semelhante: R$ 2,6 mil são dedicados à escola dos três filhos todos os meses, sem considerar o uniforme, transporte para a escola e alimentação. "Colocando na ponta do lápis, o material escolar adiciona aproximadamente R$ 100 por mês nessa conta", relata.

A psicóloga Eliana Abram Santos tem duas filhas, uma de 17 e outra de 18 anos, em época de terminar o ensino médio. A diferença nos custos do pré-vestibular em relação ao ano passado aumentou 18%, considerando mensalidade somada ao material escolar. "No ano passado, o custo ficava em R$ 805, e este ano – mesmo negociando as duas matrículas juntas – ficou em R$ 950. Com certeza eu faço parte daquele time de pais que está assustado com o aumento", disse.

Acumulado

De acordo com os números do IBGE, o aumento acumulado no custo do ensino entre 2005 e 2010 supera em 11,64 pontos porcentuais a inflação registrada no mesmo período. Neste intervalo, as mensalidades escolares registraram alta de 51,10%, enquanto a inflação teve aumento de 35,35%, de acordo com cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A gerente de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Irene Maria Machado, no entanto, avalia que este é um movimento pontual, que tende a se arrefecer nos próximos meses. "Fevereiro tradicionalmente concentra os reajustes das mensalidades escolares. Neste ano tivemos ainda a pressão do grupo de alimentação e transportes, que juntos têm um peso significativo na composição do índice", diz.

O grupo de alimentação, com alta de 1,16%, também apresentou em Curitiba a maior elevação de preços dentre as 11 capitais pesquisadas – acima da média nacional, de 0,96%. Já o segmento de transporte foi pressionado pela alta no preço dos combustíveis. Nos dois primeiros meses do ano, o etanol sofreu reajuste de 2,41% nas bombas, enquanto a gasolina subiu 0,17%. No primeiro bimestre, Curitiba acumula alta geral de 1,18% nos preços, índice um pouco abaixo da inflação nacional, que ficou em 1,54%.

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