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Parque eólico na Califórnia, EUA. País retomou o posto de maior investidor em energias limpas. |
Parque eólico na Califórnia, EUA. País retomou o posto de maior investidor em energias limpas.| Foto:

Os Estados Unidos voltaram a assumir a liderança na corrida por energia limpa, investindo US$ 48 bilhões no ano passado, superando a China, que detinha o título de maior investidor desde 2009, revelou um estudo publicado nesta quarta-feira.

O aumento de investimentos privados no país foi de 42% com relação a 2010, assegurando a liderança mundial americana tanto em investimentos de "venture capital" (capital de risco), como de pesquisa e desenvolvimento, revelou o relatório anual da Pew Charitable Trusts sobre energia limpa.

No entanto, o 'boom' americano foi amplamente impulsionado pela caducidade de incentivos fiscais, chamando a atenção para "um fenômeno persistente no qual o país fracassa em inserir no mercado as inovações em energia limpa que cria em laboratório", destacou o informe.

A China, que caiu para a segunda colocação, investiu US$ 45,5 bilhões no ano passado, um aumento de 1% com relação a 2010, mas manteve a liderança global em investimentos de energia eólica e fabricação de componentes para a solar.

Especialistas dizem que uma diferença importante entre os Estados Unidos e a China está na forma como os dois países atraem investimentos: a China, por adotar políticas verdes sólidas e reassegurando os investidores, e os Estados Unidos por oferecer cortes de impostos para investimentos.

"A China conseguiu impulsionar seu crescimento com políticas de longo prazo muito consistentes que realmente indicam aos investimentos que há uma oportunidade de ganho para eles", explicou Phyllis Cuttino, diretor do Programa de Energia Limpa do Instituto Pew.

"Os Estados Unidos não têm meta de energia renovável, mas dediciram tentar e incentivar os investimentos em energia limpa através de uma variedade de incentivos fiscais, créditos, subsídios, garantias de empréstimo", disse à AFP.

Alguns destes programas foram instituídos durante o governo de George W. Bush e alguns sob o governo do presidente Barack Obama. "O que vimos este ano foi que investidores realmente correram para os Estados Unidos para tirar vantagem destes créditos fiscais antes que expirassem", acrescentou.

O relatório Pew, que tem como foco o investimento primário nos países do Grupo dos 20 (G20), também demonstrou que o investimento total privado em nível mundial subiu 6,5% com relação a 2010 chegando a um nível recorde de US$ 263 bilhões.

"Alemanha, Itália, Reino Unido e Índia também estavam entre os países que foram mais bem sucedidos em atrair investimentos privados no ano passado", acrescentou.

A Alemanha apareceu na terceira posição em 2011, depois de ter subido para o segundo lugar em 2010, intensificando os investimentos nas energias solar e eólica. Os investimentos privados caíram 5% no ano passado em comparação com 2010.

"A Alemanha agora obtém mais energia de fontes renováveis do que de energia nuclear, de carvão ou gás natural", destacou o relatório, acrescentando que a Itália também teve alta, superando a produção alemã de 7, gigawatts (GW) de fonte solar.

A Itália instalou 8 GW de geradores solares em todo o país e os investimentos cresceram 38% para US$ 28 bilhões, equilibrando declínios em outras partes da Europa à medida que a região luta contra a crise da dívida.

"A Europa tem sido um líder tradicional em termos de atrair investimento privado. No ano passado, atraiu US$ 99 bilhões em investimento privado como região", afirmou Cuttino.

"Mas Ásia e Oceania são regiões do mundo que estão em rápido crescimento, portanto continuamos pensando que o centro da economia da energia limpa esteja se mudando para a região. Foram as segundas do mundo, ao atrair US$ 71 bilhões", continuou.

A Índia teve a taxa mais elevada de crescimento entre os países do G20, com investimentos que cresceram 54% para US$ 10,2 bilhões, amplamente conduzidas por sua Missão Solar Nacional, que visa a instalar 20 GW até 2020.

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