
A inauguração da nova área do ParkShopping Barigüi trouxe uma situação no mínimo curiosa ao empreendimento. Desde o lançamento da expansão, no último dia 26, os clientes só têm olhos para as novas lojas. Assim, apesar do aumento do número de pessoas circulando no shopping segundo a administração, houve crescimento de 40% , os corredores da ala antiga estão mais vazios, e os lojistas reclamam da queda nas vendas, reflexo da mudança de fluxo do público.
Na loja de óculos de sol Chili Beans, as vendas caíram 15% desde que começou a funcionar a expansão. Segundo a gerente Mariana Ferla, a curiosidade das pessoas sobre a nova ala tem feito o movimento na loja diminuir, mesmo não existindo um concorrente na nova área. "O fluxo das pessoas caiu em relação ao que era antes da expansão. Essa é uma reclamação de outros lojistas também. Os primeiros dias foram piores", destaca.
A queda nas vendas também atingiu a loja M. Officer. "Nós tivemos queda no número de pessoas e 15% nas vendas. A novidade faz com que as pessoas queiram conhecer a nova ala. Mas esperamos uma melhora antes do Natal", afirma o subgerente da loja, Fernando Costa.
No andar de baixo, a loja da Adidas passa pela mesma situação, já aguardada pelos funcionários. "É visível que o movimento do shopping aumentou, mas as pessoas ficam concentradas na parte nova. Sabemos que as lojas de lá estão vendendo mais. Mas já estávamos aguardando essa queda. Nossa expectativa é que a situação volte à normalidade em breve", ressalta o gerente Luciano Luis Vieira.
Para a superintendente do shopping, Jacqueline Vieira Lemos, esse processo é natural quando ocorre uma inauguração. A administração inclusive esperava esse comportamento dos consumidores. "Isso é um processo natural. A expansão foi construída sem que as pessoas soubessem destalhes, o que gerou muita curiosidade. Novidades sempre chamam muita atenção e o fluxo acaba se concentrando", destaca.
Requinte
Na opinião do gerente da Adidas, uma forma de equilibrar o movimento seria adequar a ala que já existe aos padrões adotados na expansão. "A nova ala é mais requintada. O ideal seria uma reforma para se adequar e manter o nível", diz. Ana Cláudia Oliveira, vendedora da Lacoste, também localizada na ala antiga, acrescenta que a percepção das pessoas é de que existem "dois shoppings". "Da mesma maneira como ficou bonito lá, seria preciso fazer aqui", reforça.
Apesar das queixas dos lojistas entrevistados, a Associação de Lojistas do ParkShopping Barigüi não recebeu nenhuma reclamação. No entanto, o presidente do conselho da entidade, Murilo Campelli, acha normal as pessoas procurarem as novas operações por causa da curiosidade. "Hoje, o movimento é composto de clientes que querem compras e clientes que querem conhecer as novas operações. Com certeza, em pouco tempo a situação se estabiliza", avalia.
Segundo Campelli, que também é proprietário de duas lojas no shopping, ambas na nova área, o processo de expansão ocorreu em paralelo à revitalização da ala que já existia. As entradas do empreendimento e dos estacionamentos, os banheiros e as placas de sinalização sofreram reformas. "Claro que há o choque. Mas ocorreu uma revitalização da parte que já existia para que não haja diferença. A manutenção é constante", argumenta. A superintendente diz que não existe previsão de investimento para implantação, na ala antiga, das tecnologias utilizadas na nova área.



