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Mineração

Ferreira assume hoje o comando da Vale

A era Roger Agnelli na Vale, que durou uma década, termina hoje, quando o executivo passar o cargo de presidente da segunda maior mineradora do mundo para o mineiro Murilo Ferreira. Com a cadeira, o executivo herda a delicada tarefa de satisfazer os interesses dos investidores e do governo, que influenciou no afastamento do seu antecessor.

Uma equação difícil, mesmo para uma empresa com um plano de investimento de US$ 24 bilhões para este ano. Agnelli, que colecionou lucros recordes à frente da Vale, não conseguiu. Acabou protagonizando um duro embate com o governo, que o acusava de investir pouco no setor siderúrgico. "O principal desafio do Murilo Ferreira será reconquistar os investidores. Provar que não irá se curvar ao governo", afirma o chefe da área de análise da gestora de recursos Modal, Eduardo Roche.

Até o momento, a longa experiência do executivo no setor ainda não aplacou o temor de uma maior ingerência política nas decisões da mineradora, priorizando o desenvolvimento social acima dos lucros. A União está no bloco de controle da Vale diretamente (por meio do BNDESPar) e indiretamente, pela Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

"A relação entre o governo e as mineradoras sempre foi muito grande. O problema agora é que qualquer movimento pode ser interpretado como ingerência política", pondera Pedro Galdi, chefe do departamento de análise da corretora SLW. Para ele, Ferreira vai pegar uma empresa bem financeiramente e com projetos que irão permiti-la dobrar de tamanho em cinco anos. Para Galdi, a maior dificuldade será a Vale provar aos investidores que seus planos têm como foco principal seu crescimento.

Além de reconquistar acionistas, Murilo também terá de reconstruir as relações entre a Vale e o governo, que ficaram estremecidas nos últimos dois anos. Desafio que passa por dois temas: os investimentos no setor siderúrgico e os royalties da mineração. Os investimentos em siderurgia, no entanto, não são vistos com bons olhos pelo mercado. Para ganhar respaldo entre os investidores, portanto, o novo comandante terá de conter a pressão governamental para envolver a Vale em projetos siderúrgicos.

Popular entre políticos por criar muitos empregos e oferecer um produto com maior valor agregado em relação ao minério, o segmento oferece um retorno baixo para a Vale, que consegue margens muito melhores na comercialização do minério de ferro, insumo que teve seu preço reajustado em mais de 100% no ano passado.

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