Cortar imediatamente a taxa básica de juros (Selic) em até dois pontos porcentuais é o primeiro passo que o governo deveria dar, por meio do Banco Central, para melhorar as expectativas dos empresários e, com isso, limitar os efeitos da crise. A opinião é do presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures. Em entrevista coletiva, Rocha Loures disse ontem que, até o fim do semestre, a taxa terá de recuar ao menos quatro pontos a 9,75% ao ano para que a medida tenha efeito consistente ainda em 2009.
No mês passado, a indústria paranaense fechou 25,4 mil postos de trabalho, mais da metade das quase 50 mil vagas eliminadas na economia estatual. "Esse movimento acelera os efeitos da crise", admitiu Rocha Loures, para quem a preservação do emprego e, consequentemente, do consumo deve ser a prioridade da política econômica. "Mas as emoções estão por trás disso. Quando o empresário fica pessimista, ele se encolhe. É por isso que o governo precisa ser ativo no combate à crise, tomar atitudes que indiquem uma melhora do cenário futuro. Exemplo da inércia atual é que, enquanto o mundo inteiro baixou juros, o Banco Central manteve a taxa mais alta do mundo."
Além de reduzir o juro, o governo deveria, segundo ele, "destravar" o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), "que não tem evoluído como o desejado, fica apenas na retórica e provoca ceticismo em relação ao investimento público". "Outra medida necessária é desonerar o investimento privado, ou pelo menos incentivar as empresas a reinvestir seus lucros. Já que ficou difícil obter crédito lá fora, que estimulemos essa poupança interna."
Em almoço com cerca de 40 empresários paranaenses, o presidente da Fiep colheu sugestões que pretende levar à reunião de amanhã do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o "Conselhão", vinculado à presidência da República. Segundo Rocha Loures, a reunião mostrou que no Paraná a situação mais delicada é a da agricultura que, além de enfrentar a baixa dos preços, deve sofrer quebra de 30% na atual safra de verão. Na indústria, a percepção é de que, no momento, a crise tem "intensidade moderada". "A indústria está tendo de adequar seus quadros à demanda, e ainda há dificuldade em obter crédito. Se não houver sinalização de melhora, esse cenário pode piorar."



