O corte de 0,50 ponto porcentual na Selic é o 11.º consecutivo. Mas, para o presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Costa da Rocha Loures, seria tecnicamente possível cortar um ponto porcentual e mais um na próxima reunião do Copom, no fim do ano. "Isso seria bom para a indústria. As condições são favoráveis e não seria encarado como medida eleitoreira", diz.
Já o cenário considerado ideal pela assessoria econômica da Associação Comercial do Paraná seria uma taxa de 8% ao ano. "Nesse patamar, é óbvio que as atividades econômicas voltadas à produção de bens e serviços continuam tolhidas e a expansão, travada", diz a ACP, em nota divulgada ontem a noite.
O mercado financeiro, que tem bom retorno com taxas altas, tem sido apontado como o maior beneficiado pela política de contenção de cortes da Selic. Mas, o economista sênior do banco Santander, Maurício Molan, discorda. "Quando a taxa cai, os bancos se beneficiam pelo aumento da procura por crédito", diz.
O certo é que novas reduções da taxa continuarão dependendo do comportamento da inflação, que rege as decisões do Copom. A meta fixada para o ano foi de 4,5%, mas a expectativa do mercado é que o IPCA feche o ano em 3% o que poderia levar o governo a cobrar explicações do presidente do Banco Central. "Isso é improvável, porque a inflação mínima para o ano foi fixada em 2,5%", explica o professor de economia da UFPR José Luiz Oreiro. "Certamente o governo irá considerar que é melhor errar para baixo", concorda André Paes, diretor do Paraná Banco Asset Management.
Oreiro considera "bobagem" do governo temer o retorno da inflação. "O volume de consumo atual não pressiona os preços, o que significa que não existe inflação de demanda", diz. "Isso leva a baixo crescimento, porque o empresário prefere investir em títulos e não em produção", considera. O juro real no Brasil (Selic descontada a inflação) é de 9,3% ao ano, até cinco vezes maior do que em alguns países emergentes, que crescem a taxas muito maiores. "Se não houver aumento da taxa de investimento no país, o crescimento médio nos próximos três anos será de 2,5%", aponta Oreiro. "Estamos ficando para trás."
Segundo ele, para crescer, um país emergente precisa ter inflação entre 5% e 12%, com taxa nominal de juro de cerca de 11% (taxa real de 6%). "Não significa que a inflação seja benéfica, mas com certeza a manutenção de inflação baixa demais atrapalha", diz.



