
As centrais sindicais decidiram ontem que farão um protesto nacional, no próximo dia 28 de janeiro, contra as Medidas Provisórias 664 e 665, anunciadas pelo governo federal no último dia 30, que endurecem as regras para pagamento do abono salarial, seguro-desemprego, seguro-defeso, pensão por morte e auxílio-doença.
De acordo com o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, os sindicalistas querem a revogação das MPs. "Exigiremos a revogação das medidas provisórias. Para isto, preparamos fortes protestos e manifestações pelo Brasil", afirmou. As centrais programam para o dia 28 atos, passeatas e manifestações em diversas cidades do país. "Não podemos permitir, de forma alguma, retrocesso no que se refere aos direitos dos trabalhadores", disse.
Segundo Torres, os sindicalistas acreditavam que todas as questões relativas aos trabalhadores seriam previamente discutidas com as centrais. "Mas não foi isto o que aconteceu quando o governo restringiu o acesso ao seguro-desemprego e ao abono salarial editando a medida provisória no final do ano", afirmou.
Lembrando a promessa da presidente Dilma Rousseff, que durante a campanha presidencial disse que não mexeria nos direitos trabalhistas "nem que a vaca tussa", os sindicalistas avaliam ser "preocupante que um governo que tenha manifestado a intenção de manter o diálogo anuncie medidas que retiram direitos dos trabalhadores".
Negociação
Antes da manifestação, no entanto, as centrais sindicais esperam propor diretamente ao governo a revogação das MPs em uma reunião na próxima segunda-feira, em São Paulo, que deve contar com a presença dos ministros da Secretaria-Geral, Miguel Rosseto; do Trabalho e Emprego, Manoel Dias; da Previdência, Carlos Gabas; e do Planejamento, Nelson Barbosa.
"A reunião estava marcada apenas com o Manoel Dias e o Rosseto, mas hoje fomos informados que o Gabas e o Barbosa também querem e vão participar", afirmou o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.
Crise na Volkswagen
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, vai pedir à direção da Volkswagen a suspensão das800 demissões previstas para fevereiro. O objetivo é que trabalhadores e montadora retomem as negociações. Em troca, os 13 mil funcionários da fábrica de São Bernardo do Campo suspenderão a greve, que completou ontem uma semana.



