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Previdência

Fundos de pensão terão que ousar para garantir meta

A trajetória de queda da taxa de juros da economia brasileira está reduzindo o retorno financeiro dos fundos de pensão com renda fixa e fará com que essas entidades tenham que buscar maiores ganhos em segmentos cada vez mais arriscados.

Dados da Secretaria de Previdência Complementar (SPC) do fim do ano passado indicam que os fundos de pensão, excluindo-se a Previ, têm patrimônio líquido de R$ 227 bilhões. Deste montante, 73% estão em renda fixa e apenas 21% no segmento de renda variável, embora a resolução 3.121 do Banco Central permita que esta parcela chegue a 50%.

Um levantamento feito pela Meta Asset Management, gestora de recursos voltada para investidores qualificados, mostra, no entanto, que os investimentos em renda fixa já não são suficientes para suportar o custo atuarial destes fundos quando a taxa básica da economia (Selic) cai abaixo de 13,5% ao ano. A meta atuarial é a rentabilidade necessária para o pagamento de benefícios aos participantes.

- Com os juros a 14,25% ao ano e com 73% de seus recursos aplicados em renda fixa, os fundos conseguiam um superávit de 0,60% apenas com este tipo de investimento. A partir de uma taxa de juros abaixo de 13,5% ao ano, com esta mesma composição, a contribuição dos rendimentos da renda fixa passa a ser insuficiente para cobrir o custo atuarial. Com a taxa de 12%, o resultado, apenas com renda fixa, seria negativo em 1,04%, ou R$ 2,360 bilhões - explica Maurício Gentil, superintendente comercial da Meta.

O diretor Financeiro da Petros, segundo maior fundo de pensão do país, Ricardo Malavasi, diz que o conselho de administração da fundação - pertencente aos funcionários da Petrobras - , vem acompanhando o problema desde 2003. De lá para cá, a participação do fundo em renda variável saltou de 15% para cerca de 30% e deverá chegar a 35%, conforme aprovado no fim do ano passado. Esses cinco pontos percentuais, na conta do especialista, representarão R$ 1,5 bilhão a mais no mercado de ações e de outros produtos de maior risco.

- De lá para cá, passamos a diversificar. Estamos em todos os itens de investimento, desde fundos de direito creditório voltado para imóveis a crédito consignado. Nos tornamos investidores dos principais fundos de private equity, com mais de R$ 900 milhões nestes produtos, e entramos em venture capital. Quando chegarmos aos 34% em renda variável, se tivermos uma avaliação de que é para subir ainda mais, renovaremos essa perspectiva - diz.

De acordo com a Meta, no caso da Petros, o estudo mostra que o custo atuarial já não seria coberto apenas com renda fixa com uma taxa de juros menor que 14,25% ao ano. Com os juros em 12% - a previsão de analistas ouvidos pelo boletim Focus do Banco Central é de uma selic de 12,250% na média do ano - , a Petros teria que conseguir, a partir de outras classes de investimento, um diferencial de 1,58%, ou R$ 483,353 milhões.

- Os ganhos da Petros em renda variável, provavelmente, têm sido mais que suficientes para equilibrar esta diferença, já que a Petros vem apresentando superávits em suas contas. Mas o estudo sugere que estes investidores terão, cada vez mais, que buscar outras alternativas de ganhos com maior relação entre risco e retorno para garantir os pagamentos dos benefícios – diz Gentil.

Petros: previsão conservadora para taxa de juros

Malavasi conta que o cenário considerado pela Petros ainda é conservador. Para definir sua meta de investir 35% de seu patrimônio líquido em renda variável, a fundação considerou juros de 10,5% em 2009.

- Dependendo do cenário de inflação, ficaremos muito próximos ou abaixo da meta atuarial. Considerando uma inflação em torno de 4%, por exemplo, teríamos uma taxa de juros reais em torno de 6%. Como nossa meta atuarial é de IPCA mais 6%, ficaria muito apertado e seria um problema. Mas temos a rentabilidade de outros investimentos - lembra.

Dentro da classificação de renda variável da SPC, que vai além de investimentos em ações, a Petros participa de diversas empresas de propósito específico, especialmente no setor de infra-estrutura. E, recentemente, o fundo comprou ações da Brasil Ecodiesel, apostando nos biocombustíveis.

- Estamos bastante comprometidos, com investimentos juntamente aos principais gestores do país. Na área de shoppings, temos avaliado certificados de recebíveis imobiliários, que é forma de continuar investindo no setor sem estarmos na gestão - acrescenta, lembrando que a definição de renda fixa da SPC também é bastante flexível.

Em seu estudo, a Meta excluiu os números da Previ porque o fundo de pensão extrapolou o limite estabelecido pelo BC, com 62,6% de seu patrimônio líquido aplicado em renda variável.

O presidente da entidade, Sergio Rosa, já afirmou que a Previ tem planos de vender R$ 3 bilhões em ações neste ano, para tentar se adequar às regras do governo.

O estudo também considerou que os fundos têm como meta atuarial a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 6% ao ano, e supôs que os poucos investimentos em imóveis (3%), operações com participantes (2,6%) e outros (0,4%) não tivessem qualquer rentabilidade no ano.

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