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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (24) que a instituição pretende adotar gradualmente medidas para dificultar o acesso a linhas de crédito consideradas “agressivas” ou “predatórias”, além de criar mecanismos para levar o consumidor a refletir antes de contratar empréstimos.
A iniciativa ocorre enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amplia a oferta de crédito e programas de renegociação de dívidas para estimular o consumo e movimentar a economia.
Galípolo afirmou que a preocupação do BC está relacionada principalmente às modalidades de maior risco, com custos elevados e, geralmente, sem garantias.
“Do ponto de vista de estabilidade, estamos preocupados com oferta de crédito agressivo ou até predatório. Medidas independem do momento de ciclo econômico”, disse em uma entrevista coletiva, mas sem detalhar as medidas.
Dados mais recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC/CNC) mostram que 82% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida a vencer, superando os 78,8% registrados no mesmo período do ano passado. Entre os endividados, 29,9% estão com contas atrasadas, 12,5% dizem não ter condições de quitar dívidas vencidas, 29,5% da renda mensal está comprometida com parcelas e 19% têm mais da metade da renda comprometida com dívidas.
Segundo Gabriel Galípolo, uma das possibilidades em estudo é alterar a experiência do consumidor durante a contratação, criando etapas que funcionem como uma espécie de pausa antes da decisão.
“Por isso que citei medidas de mais consciência, relacionadas a criar atrito na experiência, para ter consciência, prevenção, e combate a esse crédito mais predatório e agressivo. Estamos nos debruçando sobre essas medidas”, afirmou.
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O presidente do BC citou ainda a inadimplência do cartão de crédito, que, segundo ele, chega a 65%, como exemplo de uma modalidade que apresenta problemas de desenho e que carrega uma característica herdada do antigo uso do cheque pré-datado. A intenção, nesse caso, é discutir formas de reduzir a exposição de consumidores a operações de maior risco.
“Muitas vezes a experiência, a jornada do cliente, tem um peso grande na escolha da linha de crédito, no consumo do serviço financeiro que tem sido apresentado”, completou.
Experiências adotadas em outros países também estão sendo consideradas pelo Banco Central, segundo Galípolo, com modelos que variam de acordo com o grau de vulnerabilidade do consumidor. Entre as alternativas citadas estão a exigência de autorização prévia para determinadas ofertas a pessoas em situação de superendividamento e o modelo de Singapura, onde o BC local estabelece quem pode receber cartão de crédito.








