
A crise pode até ter ficado para trás, mas o consumidor resolveu optar pela prudência neste Natal. Levantamento exclusivo da Paraná Pesquisas para a Gazeta do Povo revela que 66,3% dos moradores de Curitiba pretendem gastar o mesmo ou até menos do que no ano passado. Roupas, calçados e brinquedos lideram a lista de preferência dos presentes, desbancando os celulares e os eletroeletrônicos.A pesquisa, que ouviu 506 pessoas entre 10 e 14 de dezembro, revela ainda que a maioria não pretende se endividar com as compras natalinas. O pagamento à vista é a opção para dois terços dos entrevistados, seguido pelo parcelamento no cartão de crédito, com 16,83%. De acordo com o coordenador da pesquisa, Murilo Hidalgo Lopes de Oliveira, essa cautela pode ter várias razões, entre elas o comprometimento do orçamento com outras dívidas como o automóvel ou a prestação da casa própria. Com os incentivos fiscais e a redução da taxa de juros, muita gente antecipou a compra do carro ou conseguiu sair do aluguel em 2009, comprometendo mais do orçamento com esse tipo de despesa. O desejo de evitar gastos e fugir de financiamentos também deve influenciar o perfil do presente. Se nos anos anteriores bens de maior valor, como os eletrônicos, lideravam a lista de opções, no levantamento da Paraná Pesquisas eles aparecem com menos de 4% da intenção de compra. Para o economista Gilmar Mendes Lourenço, coordenador do departamento de economia do FAE Centro Universitário, o endividamento crescente segundo dados do Banco Central, as famílias brasileiras estão gastando em média 40% do que ganham com dívidas é um dos limitadores do poder de compra.
Até R$ 500
Grande parte dos entrevistados (46,8%) diz que vai desembolsar entre R$ 100 e R$ 500 com presentes. Mas 89,4% não pretendem usar todo o décimo terceiro salário com as despesas de Natal. A maioria vai reservar uma parte do rendimento para outras finalidades. Dos entrevistados, 46,30% vão pagar dívidas, 30,37% guardarão dinheiro na poupança e 7,41% vão gastar em viagens.
A pesquisa também revela que o comércio de rua e os shoppings são os locais preferidos para fazer compras de Natal e a maioria pretende pesquisar preços antes de investir em um presente.
Otimismo
Apesar da cautela do consumidor, o comércio está otimista com o Natal deste ano. Em 2008, a crise, que estourou em setembro, gerou incertezas e comprometeu as vendas natalinas. Na época, a previsão era de um aumento de 10% a 12%, mas o resultado ficou em torno de 5%. Para 2009, os lojistas esperam um avanço de 6% a 8% nas vendas natalinas, de acordo com o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP) Edmundo Kosters. Embora espere aumento de vendas, ele admite que o consumidor está mais cauteloso. "Ninguém quer gastar mais e quem paga à vista quer desconto", diz. Pelos seus cálculos, o valor do tíquete médio deste ano deve ficar igual ao do ano passado, em R$ 60.
Shoppings
Os shopping centers esperam um avanço mais forte, de 11%, nas vendas no Natal de 2009. Levantamento da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) indica que à espera de vendas maiores os estabelecimentos reforçaram investimentos. Cada centro de compras destinará à decoração e a campanhas em média R$ 1,5 milhão, quase 50% mais do que no ano passado.




