
Paris - Como se não bastasse a crise na Grécia e da zona do euro, a Hungria - que é parte da União Europeia (UE), mas não da zona do euro caiu ontem na roleta russa dos mercados: o país está sob ataque de investidores, gerando temor de que a crise possa estar se alastrando por toda a Europa. O motivo foi uma declaração do porta-voz do novo primeiro-ministro Viktor Orban, acusando o antigo governo socialista de ter "falsificado" números da economia, exatamente como fez a Grécia. Em consequência, a moeda húngara, o forint, despencou. "Na Grécia, também falsificaram números. Mas na Grécia o momento da verdade já chegou. Na Hungria, ainda não", disse o porta-voz, Peter Syiijarto.
O porta-voz não parou aí. Disse estar claro que "a economia húngara está numa situação grave", e não excluiu a possibilidade de um calote. O mercado, já nervoso com a crise do euro, não esperou. A moeda húngara caiu 5,6% em relação ao euro e o custo da dívida do país subiu 1%. A desvalorização da moeda é dramática para 1,5 milhão de húngaros, que se endividaram em moeda estrangeira sobretudo em franco suíço por conta dos juros mais baixos, para comprar casa ou apartamento.
Se a Hungria "falsificou" ou não números, o novo governo - conhecido por um discurso nacionalista e populista ainda terá que provar. De qualquer forma, o estrago está feito. As declarações do porta-voz húngaro chocaram alguns operadores do mercado. "Estou abismado com esses comentários. É ridículo e extremamente perigoso. Que mensagem você passa para os investidores estrangeiros?", reagiu Tom Ash, responsável pelos mercados emergentes no Royal Bank of Scotland.
Mercados
O risco de moratória da Hungria, que obteve um empréstimo de 20 bilhões de euros do Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2008 para pôr as contas públicas em ordem, e os dados abaixo do esperado sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos deprimiram os negócios nas bolsas de valores. A Bovespa caiu 2,01%, para 61.675 pontos. Nos EUA, o índice Dow Jones recuou 3,15%, para 9.931 pontos, o menor nível desde fevereiro. Na Europa, a Bolsa de Londres caiu 1,63%, e a de Frankfurt, 1,91%.
O dólar comercial foi cotado por R$ 1,859, em alta de 1,75%. No mercado de câmbio externo, o euro bateu as mínimas ante o dólar em quatro anos, ao ser cotado a US$ 1,1956, o que aumentou as preocupações sobre a fraqueza da moeda. "Há forte de aversão ao risco, os investidores voltaram a temer os problemas na zona do euro", disse Paulo Hegg, operador da Um Investimentos.



