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Para entender

Governo Lula planeja imposto extra para frear contratações via PJ

Profissional trabalhando em home office. Governo estuda nova contribuição previdenciária para empresas com alta proporção de trabalhadores PJ (Foto: Dall-E/Gazeta do Povo)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou uma proposta para criar uma contribuição previdenciária adicional destinada a empresas que utilizam muitos profissionais contratados como pessoa jurídica (PJ). A medida visa combater a pejotização abusiva e recuperar a arrecadação da Previdência Social, diferenciando prestadores de serviços legítimos de funcionários que ocupam vagas de emprego camufladas.

Qual é o principal objetivo do governo com a criação desse novo tributo?

O foco central da equipe econômica é desestimular a chamada pejotização abusiva, que ocorre quando uma empresa contrata um trabalhador como empresa (PJ), mas exige que ele atue como um funcionário comum, com horários fixos e subordinação. Para o governo, essa prática gera uma perda significativa na arrecadação da Previdência Social e retira proteções trabalhistas essenciais do cidadão. A ideia é estabelecer um parâmetro técnico que consiga diferenciar empresas que realmente terceirizam serviços daquelas que usam o modelo apenas para reduzir custos com impostos e encargos sociais.

Como o governo pretende diferenciar uma contratação legítima de uma irregular?

A proposta, embora ainda não detalhada em um projeto de lei, sugere o uso de proporções da força de trabalho. O ministro citou que uma empresa com 10% de trabalhadores PJ pode estar dentro de uma lógica normal de terceirização. No entanto, se uma companhia possui 80% de sua equipe nesse formato, isso indica uma substituição em larga escala de empregados com carteira assinada por prestadores de serviço. O desafio será criar critérios objetivos para que as empresas saibam quando uma contratação será considerada legítima ou quando ela passará a gerar essa nova cobrança tributária adicional.

O que a legislação atual diz sobre a legalidade de contratar serviços via PJ?

Contratar uma pessoa jurídica para realizar serviços não é ilegal no Brasil. O próprio Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu a validade da terceirização em diversas formas de organização do trabalho. O conflito jurídico surge quando o contrato assinado não reflete a realidade do dia a dia. Especialistas explicam que, se houver subordinação direta, controle de jornada e o trabalhador estiver inserido na rotina típica de um empregado comum, a Justiça pode entender que existe uma relação de emprego oculta. O STF ainda julga temas que podem definir a competência para analisar essas fraudes.

Quais podem ser os impactos práticos dessa medida para o mercado e os consumidores?

A consequência mais direta seria o encarecimento da mão de obra para empresas que dependem desse modelo, o que pode levar a uma reorganização das estruturas empresariais. Analistas preveem que algumas empresas podem converter contratos PJ em vagas CLT (com carteira assinada) para evitar o novo imposto, enquanto outras podem tentar repassar esse custo extra para o preço final dos produtos ou serviços entregues ao consumidor. Além disso, há o risco de que profissionais que atuam de forma realmente autônoma acabem sendo prejudicados por regras muito amplas ou fiscalizações pesadas.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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