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Promessa de campanha

Governo muda critério e alega ter zerado a fila do INSS a um mês das eleições

Meta do terceiro mandato de Lula era zerar fila até fim de setembro. (Foto: Andre Borges / EFE)

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A um mês das eleições, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva alterou os critérios de avaliação para anunciar ter zerado a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — uma das principais promessas de campanha de 2022. O indicador chegou a bater recordes ao longo do mandato.

Apesar do anúncio, o próprio ministro e o secretário-executivo da pasta, Felipe Cavalcante, admitiram que ainda há 224 mil pessoas aguardando perícias há mais de 45 dias. O governo classifica o grupo como "residual".

“Essa fila de beneficiários acima dos 45 dias se transformou em um resíduo, de pouco mais de 200 mil, que são pedidos especialíssimos, de casos mais complexos”, diss Queiroz.

O anúncio foi feito pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Lula. Ele já vinha noticiando que a meta poderia ser alcançada.

Muda conceito: de "fila" para "fluxo"

Segundo o ministro, quando a capacidade de atendimento supera a entrada de novos requerimentos, a fila deixa de existir formalmente:

“Quando isso acontece, não temos uma fila. Temos um fluxo de atendimento. Deixou de existir uma fila para existir atendimento. Estamos numa situação parecida com uma loja que tem 12 vendedores e entram 8 clientes. Estamos com folga no atendimento, por maior que seja a demanda.”

Até junho, contudo, o próprio site do INSS definia como “fila” o conjunto de pedidos que aguardavam apreciação há mais de 45 dias. A meta do governo era solucionar o problema até o fim de setembro para evitar desgastes políticos com a oposição. Atualmente, o INSS recebe cerca de 1,3 milhão de solicitações por mês (43 mil por dia).

Evolução dos números

Fevereiro: 3,12 milhões de pessoas aguardavam na fila, enquanto 1,17 milhão de novos pedidos foram abertos no mês.

Julho: total de esperas caiu para 1,547 milhão.

Agosto: o volume de novos pedidos superou a quantidade de pessoas aguardando atendimento.

Casos pendentes e contradições

Lula disse que “o que a gente quer é humanizar a fila. É a pessoa ter o tempo correto de dar entrada, esperar e receber o seu benefício.”

Questionado sobre a alteração metodológica para declarar a fila zerada, o ministro negou qualquer manipulação:

"Não mudamos critério nenhum. Nós estamos apreciando, analisando pedidos como nunca analisamos, e estamos concedendo benefícios como nunca concedemos. São números reais. Então não tem truque, não tem pegadinha", afirmou aos jornalistas presentes.

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