
Reconhecendo os efeitos de desaceleração da economia como reflexo da crise internacional, o governo anunciou ontem um corte de 0,7 ponto porcentual de 4,5% para 3,8% na previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2011. Esse número indica que o país deixará de crescer R$ 26 bilhões em relação ao PIB de 2010, o que equivale a toda a economia da Paraíba, o 18.º estado mais rico da federação.
Essa revisão para baixo, divulgada pelo Ministério do Planejamento no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 5.º bimestre de 2011, confirma uma expectativa de desaceleração que já tinha sido antecipada pelos agentes do mercado. Segundo o governo, essa alteração reflete "a deterioração do cenário externo, que tem repercussões tanto sobre a taxa de crescimento real do PIB como sobre a cotação do câmbio médio, que sofreu leve depreciação".
Há menos de um mês, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou que o governo trabalhava com a expectativa de crescimento de até 4%. Em meados do ano passado, a projeção para o crescimento da economia brasileira em 2011 era de 4,5%.
Apesar da revisão, o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Luciano Nakabashi entende que o governo foi "conservador" ao anunciar o corte. "Talvez fique até um pouco abaixo dos 3,8%, mas não muito", avalia. "Ainda assim, não deixa de ser um resultado positivo diante das condições da economia mundial, em especial na Europa e nos Estados Unidos", pondera.
Para Nakabashi, nas atuais condições a economia brasileira pode crescer entre 3% e 3,5% em 2012. "A não ser que aconteça alguma coisa muito séria além do que já estamos esperando. Os países em desenvolvimento estão crescendo mais rápido, apesar da crise", aponta.
O economista Carlos Magno Bittencourt, conselheiro do Corecon-PR, diz que a desaceleração é uma confirmação de que a crise é global e que nenhum país está "blindado". "Já estamos sofrendo os efeitos dessa crise internacional no ambiente interno da economia brasileira", avalia. Apesar disso, para ele, a crise não deve atingir diretamente o mercado de trabalho brasileiro. "Como estamos com um índice de desemprego muito baixo, próximo de 6%, se houver uma queda não vai ser algo tão acentuado assim para os nossos padrões históricos. Se houver uma queda, vai deixar o Brasil com cara de 2009", compara.
Nakabashi diz que um crescimento de 3% seria capaz de absorver boa parte da mão de obra dos jovens que estão entrando no mercado de trabalho ao mesmo tempo em que aliviaria a pressão sobre a demanda de mão de obra, que acaba tendo reflexos sobre os índices de inflação.



