O temor de abrir o capital num momento pouco favorável motivou a operadora de telefonia GVT a deixar para 2007 sua entrada no mercado de ações. A empresa havia protocolado em abril um pedido de oferta pública de ações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas deixou a solicitação ser indeferida por falta de entrega de documentos no prazo exigido. Um segundo processo de liberação de oferta foi aberto na última segunda-feira e não deve ser concluído antes de fevereiro.
A GVT não se pronuncia sobre o assunto, por questão de normas impostas pela CVM, mas a assessoria de imprensa da empresa confirma que a avaliação, em junho, era de que o mercado não apresentava um bom momento para a abertura de capital. Na época, a companhia solicitou uma prorrogação e conseguiu que o prazo de conclusão do processo fosse prolongado até outubro. Como não havia outros recursos cabíveis para adiar ainda mais essa data, informa a assessoria, a GVT acabou desistindo de seguir o cronograma de entrega de documentos.
A escolha da operadora pode ser considerada acertada, segundo analistas e corretores do mercado de ações. "Quem abrir capital em 2007 entra no mercado com um cenário mais definido", diz o economista sênior da consultoria Uptrend, Thiago Davino. Além disso, destaca ele, as previsões são mais otimistas no que diz respeito a uma queda da taxa de juros norte-americana. "A inflação acima do esperado nos Estados Unidos provocou quedas nas bolsas de maio a setembro e elevou a taxa de juros americana. Embora ainda exista incerteza, os analistas de lá já estão prevendo queda nos juros para o primeiro trimestre de 2007", diz.
A analista de telefonia da Fator Corretora Jacqueline Lison também acredita que, no curto prazo, não há risco previsto para a entrada na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). "Mas quando se fala em ações, incertezas sempre existem. Só que hoje o cenário é melhor do que no meio do ano, quando a Bovespa viveu seus dois piores meses", avalia. A queda nos juros brasileiros, que tem derrubado os resultados de aplicações em renda fixa, também tende a colaborar para quem quer abrir capital, sugere a diretora da Aureum Corretora, Adriana Dalcanale. "Assim como novas empresas vão entrar para o mercado, mais pessoas vão investir em ações", frisa.



