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O agora ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP), afirmou nesta quinta-feira (2) que a chamada “taxa das blusinhas” não foi criada somente pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e sim junto dos governadores dos estados e do Congresso Nacional inclusive com votos da oposição.
A medida que taxou em 20% as compras internacionais de até US$ 50, afirmou o ministro, foi aprovada de forma unânime e acabou sendo distorcida politicamente pela oposição com fins eleitorais.
“A taxa das blusinhas não foi uma criação do governo do presidente Lula, mas dos governadores. Todos os governadores passaram a cobrar a taxa das blusinhas, inclusive aqui de São Paulo [Tarcísio de Freitas, Republicanos-SP]. E a direita não reclama dele. Então, não entendo por que isso ficou marcado como se fosse decisão do Executivo federal”, disparou Haddad em entrevista ao ICL Notícias.
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Fernando Haddad também apontou o que considera desinformação sobre a taxação, afirmando que a medida nasceu de pressões do varejo nacional diante da concorrência com produtos importados de baixo custo.
“Diante da pressão do varejo brasileiro – o ‘velho’ da Havan, o cara da Riachuelo, todos bolsonaristas – os governadores decidiram cobrar a taxa”, afirmou.
A proposta, disse o ministro, foi “100% aprovada por todos os partidos no Congresso Nacional”, e reforçou que “a tal da ‘taxa das blusinhas’ teve apoio total”, tentando afastar a ideia de que a medida tenha sido uma decisão isolada do governo federal.
O ex-ministro ainda criticou o uso político da taxação inclusive por aliados, citando que “até nosso campo desinforma” ao atribuir a ele uma decisão que, diz, não tomou. Haddad questionou por que os governadores não são cobrados publicamente e afirmou que a narrativa foi construída para fins eleitorais, apesar de classificar a medida como uma ação de proteção econômica.
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Apesar da justificativa, a chamada “taxa das blusinhas” ainda enfrenta forte rejeição popular e é apontada como um dos principais erros deste terceiro mandato de Lula por 62% dos entrevistados em uma pesquisa recente da Atlas Intel/Bloomberg.
A medida impôs uma taxa de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, aplicada desde agosto de 2024 diretamente nos carrinhos de compras das plataformas digitais.
Dados da Receita Federal apontam que houve queda de 11% nas compras internacionais realizadas por brasileiros naquele ano na comparação com o anterior – mas, com uma disparada de 40% na arrecadação do tributo.












