
A hegemonia norte-americana sobre o mundo não está ameaçada, apesar do colapso do sistema financeiro e da possível depressão econômica dos Estados Unidos. Essa foi a conclusão da maioria dos debatedores da mesa-redonda sobre crise e poder mundial, realizada ontem pela manhã.
O economista Márcio Henrique Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reconheceu que "uma crise dessas proporções certamente levará a grandes mudanças", mas ponderou que ela não necessariamente enfraquece a hegemonia dos EUA. "Pelo contrário, pode até fortalecê-la. A crise pode se tornar instrumento de administração do poder mundial."
O sueco Magnus Ryner, professor de Relações Internacionais da universidade inglesa Oxford Brookes, apontou que, embora a economia da União Européia (UE) tenha peso comparável ao da norte-americana, os países do bloco são incapazes de superar divisões internas e não conseguem definir estratégias homogêneas de ação. "A estrutura européia favorece a economia norte-americana. Aqueles que previram um contrapeso europeu subestimam a fraqueza estrutural da Europa."
Para o economista paranaense Francisco de Assis Inocêncio, "é inquestionável a falência do sistema financeiro", mas "não se pode subestimar a capacidade de articulação e união do povo americano, evidenciada em várias ocasiões".
Apenas o sociólogo e cientista político mexicano Lorenzo Carrasco defendeu que o fracasso do modelo neoliberal resultará em um declínio da hegemonia dos EUA. Para ele, as três principais fontes de poder norte-americanas financeira, militar e a capacidade de difusão do pensamento dominante já estão em colapso.



