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Seminário da crise

Hegemonia americana ainda não recebeu atestado de óbito

Especialistas que participaram de discussão sobre a turbulência econômica dizem que ainda é cedo para anunciar o fim do poder dos EUA

Serrano, da UFRJ: Brasil precisa investir mais nas parcerias da América Latina, em especial os vizinhos do Mercosul. | Roberto Dumke/Divulgação
Serrano, da UFRJ: Brasil precisa investir mais nas parcerias da América Latina, em especial os vizinhos do Mercosul. (Foto: Roberto Dumke/Divulgação)

A hegemonia norte-americana sobre o mundo não está ameaçada, apesar do colapso do sistema financeiro e da possível depressão econômica dos Estados Unidos. Essa foi a conclusão da maioria dos debatedores da mesa-redonda sobre crise e poder mundial, realizada ontem pela manhã.

O economista Márcio Henrique Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reconheceu que "uma crise dessas proporções certamente levará a grandes mudanças", mas ponderou que ela não necessariamente enfraquece a hegemonia dos EUA. "Pelo contrário, pode até fortalecê-la. A crise pode se tornar instrumento de administração do poder mundial."

O sueco Magnus Ryner, professor de Relações Internacionais da universidade inglesa Oxford Brookes, apontou que, embora a economia da União Européia (UE) tenha peso comparável ao da norte-americana, os países do bloco são incapazes de superar divisões internas e não conseguem definir estratégias homogêneas de ação. "A estrutura européia favorece a economia norte-americana. Aqueles que previram um contrapeso europeu subestimam a fraqueza estrutural da Europa."

Para o economista paranaense Francisco de Assis Inocêncio, "é inquestionável a falência do sistema financeiro", mas "não se pode subestimar a capacidade de articulação e união do povo americano, evidenciada em várias ocasiões".

Apenas o sociólogo e cientista político mexicano Lorenzo Carrasco defendeu que o fracasso do modelo neoliberal resultará em um declínio da hegemonia dos EUA. Para ele, as três principais fontes de poder norte-americanas – financeira, militar e a capacidade de difusão do pensamento dominante – já estão em colapso.

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