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Cervejarias

Heineken compra Femsa, dona da Kaiser

Negócio é avaliado em US$ 7,7 bilhões; empresas já atuavam em parceria de produção e distribuição no Brasil, inclusive na unidade de

Unidade da Femsa em Ponta Grossa: empresa mexicana tem perdido espaço no mercado desde que chegou ao Brasil, em 2006 | Henri Milleo/ Gazeta do Povo
Unidade da Femsa em Ponta Grossa: empresa mexicana tem perdido espaço no mercado desde que chegou ao Brasil, em 2006 (Foto: Henri Milleo/ Gazeta do Povo)

A cervejaria Heineken anunciou ontem a compra da mexicana Femsa Cervezas, proprietária da marca brasileira Kaiser, em uma transação de US$ 7,7 bilhões, incluindo dívidas de US$ 2,1 bilhões. A aquisição era a última chance que a cervejaria holandesa tinha de abocanhar uma fatia do mercado latino-americano, um dos que mais crescem no mundo.Dona no Brasil das marcas Kaiser e Bavária, a Femsa foi disputada pela SABMiller, mas esta teria desistido justamente por não querer a operação brasileira.As duas cervejarias já operavam em parceria na produção e distribuição de suas marcas no Brasil, em oito unidades, sendo uma delas em Ponta Grossa, nos Campos Gerais.

O negócio envolve troca de ações. Os acionistas da Femsa terão 20% da Heineken. A operação deve ser concluída no segundo trimestre.

A Femsa chegou ao país em 2006 com a compra da Kaiser e tem perdido mercado. Saiu de 8,7% em janeiro de 2007 para 7,2% em novembro de 2009. O terceiro lugar foi perdido para a Petrópolis. A segunda é a Schin­cariol e a líder é a AmBev. "A Femsa fez lançamentos que não foram bem-sucedidos, como a Sol, e vem sofrendo com uma maior agressividade da concorrência", diz Rafael Cintra, analista da corretora Link.

A entrada da Heineken não deve gerar impacto para a AmBev, líder com 70% de participação. As duas já competem na Argentina e no Chile. "A Femsa é pequena se comparada à AmBev. Mesmo se a Heineken chegasse agressiva, comprando empresas, não chegaria perto de ameaçar a liderança", diz Juliana Campos, da Ativa Corretora.

As cervejarias menores, porém, devem ficar alertas. "Sempre que entra um competidor novo, ele dá uma agitada no mercado", afirma o analista da Link. "Se a Heineken vier com inovação e aumentar os investimentos em marketing, as menores terão que se mexer."

Ponta Grossa

Segundo a assessoria da Femsa, por enquanto não haverá alterações na rotina de produção no Paraná, onde a Heineken já é processada e envazada na unidade em Ponta Grossa, junto com outras marcas. A Femsa Ponta Grossa é considerada estratégica para o grupo, por garantir a boa posição nas vendas no estado. A Kaiser é líder no mercado de Curitiba, com 36% de participação, e está entre as primeiras no Paraná, o que não ocorre em outras praças. O segredo estaria na distribuição. A venda dos produtos está associada à da Coca-Cola e é feita pela distribuidora Spaipa, parceira regional da empresa. A Spaipa não quis se pronunciar. A unidade paranaense opera com 300 funcionários, sendo 200 próprios e 100 terceirizados.

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