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Desde a reeleição de Lula, estrangeiros retiram R$ 8,4 bilhões da Bolsa

Homem faz gesto com as mãos da letra "L" em referência a Lula frente à Bolsa de Valores de São Paulo, no dia da queda do Ibovespa
Manifestante faz o gesto da letra "L" em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva frente à B3, em São Paulo. A bolsa suspendeu os negócios por 30 minutos na manhã de segunda-feira (26), após queda forte do Ibovespa e desvalorização de 12% do real (Foto: Isaac Fontana/EFE)

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Os investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 8,4 bilhões da B3, a bolsa brasileira, desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até a terça-feira (3), último dado disponível de fluxo.

O movimento de saída de recursos teve início, entretanto, na quinta-feira (22), véspera do segundo turno, quando as pesquisas eleitorais já sinalizavam a queda na diferença das intenções de voto entre Lula e o senador fluminense Flávio Bolsonaro (PL). Considerando esses dias, a saída total foi de R$ 12,4 bilhões, em oito pregões consecutivos de desmonte de posições estrangeiras.

Somados ao movimento dos estrangeiros, os investidores institucionais também retiraram cerca de R$ 4,8 bilhões da B3 entre 26 de outubro e 3 de novembro, o que eleva a saída total da bolsa no período para mais de R$ 17 bilhões.

“Na semana que antecedeu o segundo turno, os investidores estrangeiros retiraram aproximadamente R$ 4 bilhões. Após a vitória do presidente Lula no segundo turno, as vendas estrangeiras iniciadas na semana anterior continuaram”, informam os analistas do BTG Pactual em relatório.

Um alívio veio nesta quarta-feira (4), quando a B3 teve o seu primeiro resultado positivo após seis pregões. Dois fatores influenciaram na alta de 1,23%: a vitória democrata nas eleições dos Estados Unidos e a possibilidade de Lula anunciar medidas de ajuste fiscal.

Ibovespa tem terceira maior queda diária desde 2000 e bolsa reage

Desde a quinta-feira (22), véspera do segundo turno, até a quarta-feira (4), o Ibovespa, indicador de referência para as ações brasileiras, acumula uma queda de 18,3%. A intensidade da queda concentrou-se na segunda-feira (26), quando o Ibovespa despencou 13,88% em um único pregão, a terceira maior baixa diária desde 2000, segundo dados da B3.

O circuit breaker (interruptor de pregão) — mecanismo que interrompe os negócios quando as oscilações do índice atingem os limites de 10% ou 15% — foi acionado logo na abertura do pregão, por volta das 10h, quando o preço teórico do índice projetava perda de 10,47%. As negociações à vista, de opções e de renda fixa privada ficaram suspensas por 30 minutos.

Após a reabertura, o índice chegou a cair mais de 15%, tocando mínima de -17,34%. Mesmo assim, a B3 optou por não paralisar o mercado novamente. A bolsa avaliou que o primeiro acionamento já havia amortecido o estresse sinalizado pelo mercado futuro e que uma nova interrupção só ocorreria caso houvesse um movimento consistente em direção ao limite de 20%. Foi a 24ª ativação do mecanismo desde sua criação, em 1997, e a primeira desde a pandemia de Covid-19, em 2020.

Outubro fecha com juros longos acima de 15% e dólar em alta

Com as perdas da semana eleitoral, o Ibovespa acumulou queda de 9,9% em outubro, em reais, e de 14,3%, em dólares. A deterioração acentuou o estresse nos juros futuros, com a curva de DI subindo até 265 pontos-base e os juros longos superando 15,3% ao ano, enquanto o dólar avançou 7,1%.

O mês, porém, encerrou com saldo estrangeiro positivo de R$ 8,6 bilhões. O capital externo ingressou com força logo após o primeiro turno, quando houve um recorde diário de entrada de R$ 10,06 bilhões, em 5 de outubro. A sequência de saídas a partir do dia 22, de cerca de R$ 11,9 bilhões, ainda não consumiu essa reserva.

Corretoras rebaixam recomendações e passam à defesa

A magnitude da liquidação levou casas de análise a reverem posições. No relatório de estratégia Raio-XP, de novembro, a XP Investimentos rebaixou a recomendação para a bolsa brasileira de otimista para neutro.

A casa fixou o valor justo do Ibovespa em 200 mil pontos ao fim de 2027. O potencial de alta de 19% equivale ao retorno projetado para a renda fixa local no período, o que elimina o prêmio de risco das ações em relação aos títulos de renda fixa.

O modelo da corretora aponta, ainda, a entrada em um regime de ‘inflação em alta e juros em alta’, considerado o mais desafiador para as ações brasileiras desde 2002. Nesse cenário, o retorno real médio anual do Ibovespa seria de -17,5%. A XP alerta, por fim, para o risco de corte de até 13% nas estimativas de lucro das empresas do índice em 2027, em cenário pessimista.

O Índice de Sentimento da corretora desabou de 100 para 18 pontos entre 9 e 29 de outubro, mas não chegou ao nível de pessimismo extremo que historicamente representa um sinal de compra. O movimento espelha a postura dos próprios investidores domésticos: no BTG Pactual, estrategistas reduziram o risco de algumas carteiras que contêm ações.

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