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Agroindústria

Imcopa faz commodity de grife

A esmagadora de soja Imcopa, que tem sede em Araucária, inaugura na terça-feira um escritório em Roterdã (Holanda), para gerir sua distribuição para o mercado europeu. A nova estratégia da companhia para a Europa inclui o aluguel de um terminal na cidade holandesa, onde receberá óleo e lecitina de soja exportadas a granel. Com isso, a empresa pretende reforçar sua marca junto aos clientes e depender menos de parceiros locais.

"Queremos abrir o leque de produtos que entregamos diretamente aos clientes", afirma o presidente da Imcopa, Frederico José Busato Júnior. O investimento em um sistema de logística que vai até os compradores no exterior é um complemento a uma escolha feita pela companhia para crescer: atuar em nichos de mercado para se tornar uma espécie de grife no mundo das commodities. Hoje, a empresa esmaga apenas soja não-transgênica e rastreada, o que já garante um prêmio sobre os valores médios pagos pelos derivados de grãos comuns.

Além disso, a Imcopa buscou se distinguir dos concorrentes pela obtenção de certificações internacionais e pela pesquisa de novos processos produtivos. No fim de abril, a empresa recebeu um dos mais avançados atestados de procedência do mundo, chamado de ProTerra. Ele é reconhecido pela organização não-governamental World Wild Fund for Nature (WWF) e atesta que os produtos da companhia são livres de organismos geneticamente modificados, foram rastreados desde a origem, foram plantados em propriedades onde não ocorre desmatamento desde 1994 e onde não é usada mão-de-obra infantil ou escrava, nem agrotóxicos sem registro nos países consumidores.

A primeira carga de farelo de soja certificada foi embarcada na semana passada. "Fomos os primeiros da América Latina a obter o ProTerra", destaca Busato. A certificação segue os critérios do programa Basiléia, desenvolvido há dois anos pela cooperativa suíça Coop Switzerland, uma rede varejista que vende somente produtos socialmente "corretos". A Imcopa aderiu à idéia porque fornece cerca de 75% do farelo de soja consumido na Suíça e, com o atestado de qualidade, terá um diferencial para negociar em outros mercados.

A companhia tem investido em projetos para colocar produtos que se diferenciem também pela tecnologia com que são feitos. O projeto mais avançado é a fabricação de um farelo de soja com alto teor de proteína e sem açúcar. Ele tem características nutricionais especiais e foi, em um primeiro momento, feito sob encomenda de uma companhia da Noruega que fabrica ração para salmão – um peixe nobre típico de águas frias.

O sistema de produção foi desenvolvido durante três anos de pesquisas que envolveram técnicos brasileiros e noruegueses. Toda a capacidade da fábrica de Araucária, de 150 mil toneladas por ano, está vendida para clientes na Noruega, Canadá e Chile. Esse volume representa quase 10% de todos os farelos produzidos pela companhia. Com o sucesso da novidade, a Imcopa decidiu investir US$ 20 milhões para dobrar a produção do concentrado sem açúcar até o início de 2007.

Com a abertura do escritório de Roterdã e o avanço nos segmentos em que atua, a Imcopa pretende elevar seu faturamento de US$ 650 milhões em 2005 para US$ 750 milhões em 2006. A empresa esmagou no ano passado 2,4 milhões de toneladas de soja.

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