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Impasse nos EUA traz novo estresse às aplicações

Dólar, ações e títulos do governo estão entre os ativos cujo valor tem sido afetado pelas mudanças no cenário econômico americano

O Capitólio, congresso dos EUA: política afeta mercados | Jonathan Ernest/Reuters
O Capitólio, congresso dos EUA: política afeta mercados (Foto: Jonathan Ernest/Reuters)

A reviravolta no cenário econômico dos Estados Unidos está mexendo com as aplicações financeiras no Brasil. Há dois meses, a economia americana vinha bem e esperava-se que o Federal Reserve (o Fed, equivalente ao nosso Banco Central) retirasse os estímulos que vinha dando ao mercado local. Agora, um impasse político no Congresso joga a economia local em nova fase de incertezas – com efeitos para as aplicações financeiras no Brasil.

A transição nas finanças americanas causou estresse ao longo deste ano com a alta do dólar – que chegou a R$ 2,45 em agosto –, o que ajudou a elevar o ganho dos fundos cambiais. A alta acumulada neste ano é de 8,70%. Neste ano, o dólar já se desvalorizou 6,60% em relação ao real.

A mudança no cenário afetou principalmente o mercado acionário. Neste ano, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu 12,8%. A queda também foi influenciada pela crise do Grupo X, de Eike Batista, que tem um peso importante na composição do índice e, de alguma forma, contribuiu para o descrédito das empresas brasileiras. "O setor mais afetado foi o mercado de ações. O investidor acreditou que o mercado estava com uma estrutura que o tornava imune a movimentos de supervalorização dos ativos", diz Ricardo Almeida, professor de finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA).

No Brasil, a principal mudança no cenário econômico é a condução da política monetária. Em abril, o Banco Central (BC) começou a elevar os juros básicos (Selic), que chegaram a 9,5% ao ano na quarta-feira. Boa parte do mercado aposta que os juros podem chegar a 10% ao ano em 27 de novembro, última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) – a previsão em janeiro era de que a Selic permaneceria em 7,25%. "Houve uma guinada na direção de atuação do BC, que vinha reduzindo a taxa de juros de maneira bastante agressiva, mas mudou a mão", diz Ernesto Leme, sócio responsável por Gestão de Patrimônio da Claritas Investimentos.

A renda fixa não escapou do estresse. A rentabilidade dos títulos públicos do Tesouro Direto foi afetada. "Grande parte dos fundos de renda fixa, aqueles fundos de índice atrelados à inflação, levaram um tombo porque, no ano passado, subiram brutalmente - fecharam o ano com 20% de ganho. Quando a taxa de juros subiu, eles se desvalorizaram; nos dois, três primeiros meses foi um horror", diz William Eid, coordenador do Centro de Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV).

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