Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
energia

Impasse sobre concessões ofusca inauguração de usina

Governador e ministra defendem argumentos opostos na cerimônia que marcou a entrega da hidrelétrica de Mauá

Gleisi e Richa: ela lamenta que o Paraná não tenha renovado concessões, ele alega prejuízos | Josué Teixeira/Gazeta do Povo
Gleisi e Richa: ela lamenta que o Paraná não tenha renovado concessões, ele alega prejuízos (Foto: Josué Teixeira/Gazeta do Povo)

Sentados lado a lado no palanque montado para a inauguração da usina hidrelétrica Mauá, em Telêmaco Borba, nos Campos Gerais, e convocados a acionar juntos o dispositivo da turbina, na manhã de ontem, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o governador, Beto Richa, defenderam argumentos contrastantes sobre a adesão do Paraná à Medida Provisória 579. Ela está em discussão no Congresso e prevê mudanças no setor elétrico para reduzir a tarifa de energia elétrica. Gleisi apelou para o estado aderir à proposta. "Lamento imensamente que o Paraná esteja fora", afirmou, enquanto Richa descartou a participação integral do estado. "Não vou admitir que o estado amargue prejuízos sucessivos com medidas anunciadas seguidamente pelo governo federal", disse.

O primeiro a citar a MP foi o presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Lindolfo Zimmer. Ele afirmou que, em 47 anos de vivência no setor elétrico, nunca havia visto a Copel ser noticiada de forma "injusta e desrespeitosa" e que a adesão parcial à proposta do governo federal "levou em conta o melhor para a empresa". A Copel optou por antecipar a renovação do contrato da concessão de transmissão, que venceria em 2015 e representa 86% dos ativos da empresa, mas rejeitou a antecipação nos contratos das usinas Parigot de Souza (Antonina), Chopim I (Itapejara D’Oeste), Mourão (Campo Mourão) e Rio dos Patos (Prudentopólis). As companhias de São Paulo e de Minas também aderiram parcialmente à proposta.

Richa lembrou que a adesão parcial ao acordo resultará em perdas de R$ 200 milhões para a Copel e de R$ 450 milhões em recolhimento de impostos para o governo estadual.

A ministra, durante entrevista coletiva, retrucou. "Não é uma quebra de contrato, é uma opção do estado em participar ou não", afirmou. Richa ainda desabafou, afirmando que é "uma falácia" dizer que a Copel não participou do acordo.

Durante sua fala, Gleisi defendeu que a adesão do Paraná não vai "descapitalizar" a Copel e que o governo federal vai oferecer a sua contrapartida através da indenização. Ela afirmou também que o preço da tarifa é regulado pelo valor do mercado. "O país precisa de energia mais barata. Hoje estamos pagando tarifas caras por investimentos que já estão pagos", declarou. Por outro lado, Richa citou que o acordo não pode inviabilizar o setor. "Todos nós queremos reduzir, mas não ao custo de inviabilizar o sistema. Minha decisão não teve conotação política. Jamais deixei que a demagogia interferisse no meu governo", frisou.

À noite, na entrega do prêmio Orgulho Esportivo Paranaense, em Curitiba, o governador disse que Gleisi estava "equivocada". "Me senti na obrigação de desfazer a forma equivocada que a ministra Gleisi colocou as coisas", disse. "Não aceito que se tire proveito político de uma medida de gabinete, sem respaldo técnico, como querem fazer. Fiz o que os técnicos da Copel e especialistas da área energética indicaram", afirmou.

Colaborou Leonardo Mendes Júnior.

Três turbinas devem entrar em operação até o mês que vem

A usina hidrelétrica Mauá, entre os municípios de Telêmaco Borba e Ortigueira, nos Campos Gerais, já opera comercialmente duas das suas cinco turbinas. As demais vão entrar em operação até o mês que vem. Construída no rio Tibagi pelo consórcio Cruzeiro do Sul, a obra enfrentou atrasos e polêmicas por causa de impasses ambientais.

Incluída no orçamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a usina custou R$ 1,4 bilhão. Ela começou a ser construída em julho de 2008 e sofreu diversos atrasos. Depois da execução de programas ambientais e do reassentamento de 144 famílias ribeirinhas, a usina iniciou o enchimento do reservatório, que era uma etapa fundamental para os primeiros testes das turbinas.

A usina tem potência instalada de 361 megawatts e pode abastecer 1 milhão de consumidores. Conforme Lindolfo Zimmer, presidente da Copel, a inauguração se dá num período crítico para o setor elétrico. "Desde 2001, nossos reservatórios não estão tão baixos", afirmou, atribuindo a situação à falta de chuvas.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.