
Depois de um período de alta intensa, índices de diversas fontes estão demonstrando uma desaceleração no preços do metro quadrado dos imóveis em Curitiba. O dado mais recente, do índice Fipe-Zap, aponta uma redução de 1,8% nos últimos seis meses. Para especialistas, é sinal de que o mercado está se tornando estável e, em consequência, mais previsível.
INFOGRÁFICO: Veja as estimativas de preço na venda de imóveis
Os índices não são comparáveis, porque retratam o mercado sob óticas diferentes. O Fipe-Zap monitora preços de apartamentos novos e usados, a partir dos anúncios publicados em portais de classificados; a Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário no Paraná (Ademi) acompanha o valor dos lançamentos; e o Sindicato da Habitação (Secovi) reflete a variação dos imóveis usados em geral.
A alta dos últimos anos é vista no mercado como resultado de uma rara combinação entre demanda reprimida, crédito abundante, pleno emprego e renda em alta um cenário que não dura indefinidamente, e que não se repete com facilidade. A Ademi mostrou alta de 16% em 2011 e de 13% no ano passado. O Secovi-PR encontrou variação de 13,25% em 2011 e, em 2012, o preço cresceu 9,19%. O recém-lançado Fipe-Zap que apresentou dados sobre a capital paranaense pela primeira vez na segunda-feira tem limitações. "Ainda esbarramos na questão do tempo de amostra para que o resultado do índice aponte tendências mais precisas", admite o coordenador do projeto, Eduardo Zylberstajn.
Normalidade
A variação já era esperada. "A oscilação é normal. O preço nos últimos 12 meses não houve aumento tão significativo quanto o dos últimos cinco ou sete anos", diz Luiz Fernando Gottschild, diretor do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar). "Houve anos em que o preço cresceu 25% em alguns tipos de imóveis, mas esse preço já está corrigido."
É possível, entretanto, que a pessoa interessada em comprar ou vender imóveis não se dê conta dessas variações. "O índice ajuda a ter uma noção do mercado, mas nem sempre pode ser levado em conta na compra pessoal", observa o economista Fábio Tadeu Araújo, sócio da consultoria Brain. "Pode ser que o imóvel específico que você quer comprar ou vender tenha outro comportamento, por estar em uma região que tem oferta maior ou menor."
De acordo com ele, o preço do imóvel novo que já não está mais com as incorporadoras e dos usados tem caído em termos reais. "Com relação aos apartamentos prontos e os usados, é possível dizer que houve queda e esses preços menores apontam para a tendência de estabilidade do setor", comenta.



