
Mesmo com a trégua do Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), que caiu 0,32% em agosto, o valor médio dos aluguéis, que são reajustados em sua maioria pela taxa, não deve ter grande variação em Curitiba. O principal motivo, segundo as imobiliárias e especialistas, é o mercado aquecido e a pouca oferta de imóveis com aluguel acessível. O índice divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) é o menor desde abril de 2006, quando houve deflação de 0,42%. Em 12 meses, a alta acumulada pelo IGP-M é de 13,63%.
O diretor da imobiliária Razão, Luiz Fernando Gottschild, diz que a oferta e a procura regulam os preços. "Com a melhora da economia nos últimos dois anos, estamos alugando imóveis que antes ficavam muito tempo parados, como salas comerciais no centro ou de valor mais elevado", conta. Gottschild acrescenta que os imóveis à venda estão mais caros, o que contribui para pressionar ainda mais o valor da locação.
Segundo o vice-presidente de locação e administração imobiliária do Sindicato de Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR) e presidente da Rede Imóveis, Luiz Nardelli, a queda no IGP-M não servirá para segurar os aluguéis na capital, pois os valores de locação estariam defasados. "Os aluguéis estavam abaixo do preço de mercado há quatro anos e a defasagem ainda não foi corrigida." Para o vice-presidente do Secovi-PR, a negociação entre locatário e inquilino é o que continua valendo nos contratos. "São os dois que decidem o índice usado para o reajuste. A negociação entre as partes é livre", salienta.
Opções
O presidente da Associação de Corretores de Imóveis de Curitiba e Região Metropolitana, José Donizete, explica que, além do IGP-M, duas outras opções de índices são geralmente apresentados para os futuros locatários. "Tentamos buscar um consenso e aplicar no contrato", diz. O diretor de locação da Apolar Imóveis, Jorge Biancamano, acrescenta que hoje o IGP-M não é tão determinante em novos contratos: "É feita uma avaliação que leva em conta o valor do imóvel e a sua localização. O índice de reajuste é escolha de locatário e inquilino".
Segundo o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros, a deflação ainda não pode ser considerada benéfica para o consumidor. "A taxa acumulada ainda é muito alta para reajustes no aluguel". A tendência, de acordo com Quadros, é de pequena deflação até o fim do ano. "Neste mês, a queda de produtos agrícolas foi acentuada e não deve ser repetir em setembro, foi uma junção de fatores favoráveis que não deve se repetir. Mas dificilmente o IGP-M se aproximará novamente dos 2%".
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos do Paraná (Dieese-PR), Sandro Silva, também acredita numa desaceleração. "A tendência é de redução, e é importante lembrar que o IGP-M é muito superior a outros índices que também são utilizados no mercado". Dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) apontam que, em 12 meses, a variação dos preços de aluguel em Curitiba é de 10,97%, quase 2 pontos porcentuais abaixo do acumulado pelo IGP-M no mesmo período, o que confirma a tendência de acordos entre inquilino e locatário. "Ambos devem procurar um acordo favorável e tentar uma apreciação com taxas menores", orienta Silva.
Desaceleração
De acordo com Quadros, o IGP-M de agosto mostrou queda importante em todos os sub-índices que formam o indicador da FGV O mais importante deles, o Índice de Preços por Atacado (IPA), que representa 60% do total apurado, caiu 0,74% ante taxa de 2,2% de julho. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M, registrou alta de 0,23% ante elevação de 0,65% no mês anterior. O Índice Nacional de Custo da Construção Civil (INCC), que representa 10% do indicador geral, variou 1,27%, também abaixo da taxa de 1,42% imediatamente anterior.




