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Indústria paranaense desacelera com juros altos e dólar baixo

Grande Curitiba responde por menos de 20% das vagas criadas no estado

Curitiba – A desaceleração na produção e no aumento do nível de emprego afetaram o desempenho da indústria do Paraná nos primeiros cinco meses do ano. De acordo com pesquisa divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) em conjunto com a Federação dos Trabalhadores na Indústria do Paraná (Fetiep), a produção industrial, que havia crescido 10,05% de janeiro a maio de 2004, registrou no mesmo período deste ano um aumento de apenas 6,54%. O saldo de emprego caiu de um patamar de 35,1 mil nos primeiros cinco meses do ano passado para 24,6 mil no mesmo período em 2005 – uma queda de 30%.

O desaquecimento da indústria, segundo explica o economista do Dieese, Sandro Silva, é conseqüência direta da política econômica do governo, que mantém os juros em patamares elevados, inibindo o investimento produtivo. Outro ponto citado pelo economista é a cotação do dólar, que desestimula as exportações de alguns setores. A indústria madeireira, por exemplo, apresentou um saldo negativo de 1.634 empregos em maio. Vale lembrar que este setor vinha registrando dados positivos até abril.

Em maio, o emprego industrial cresceu 0,78% sobre o mês de abril, com a geração de 3.908 vagas, sendo 80,8% no interior do estado. Os setores que mais empregaram foram a indústria de alimentos e bebidas, têxtil, química e de material elétrico e comunicações.

Entre janeiro e maio últimos, a indústria de transformação gerou 24.569 postos de trabalho no Paraná. O interior participou com 82,7% dos novos empregos gerados e a região metropolitana de Curitiba com 17,3%. Segundo explica Silva, o crescimento maior do emprego no interior do estado se dá em função do comportamento da agroindústria. Nos primeiros cinco meses do ano, o setor respondeu por 14.728 novos empregos, ou 60% do total. Na variação do nível de emprego, a Grande Curitiba apresentou crescimento inferior. Enquanto na região metropolitana o emprego cresceu 2,71%, no interior o aumento foi de 6,34%.

A produção industrial do Paraná registrou uma alta de 6,01% em maio sobre abril. Na comparação com maio do ano anterior houve aumento de 13,44%. Este crescimento é conseqüência da base de comparação, muito baixa em maio de 2004. "Naquele mês, a Refina Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, estava paralisada para manutenção técnica, o que não ocorreu este ano", lembra Sandro Silva. O grande destaque deste ano foi registrado entre as montadoras de veículos automotores, cuja produção cresceu 37,5%. Já a maior queda ficou com produtos químicos (-30,81%).

A exportação da indústria paranaense continua apresentando acréscimos no valor exportado, apesar da valorização do real frente ao dólar ocorrida nos últimos meses. Em maio, a indústria paranaense exportou 12,23% a mais em relação a abril. Quando comparado a maio do ano passado, o aumento das vendas externas superou a casa de 40%.

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