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Inflação acumulada dá trégua em outubro

IPCA dos últimos 12 meses caiu para 6,97%, mas continua acima do teto da meta do Banco Central; dado reflete influência do câmbio

Veja infográfico com o IPCA acumulado em 12 meses do Brasil e de Curitiba |
Veja infográfico com o IPCA acumulado em 12 meses do Brasil e de Curitiba (Foto: )

A inflação oficial acumulada nos últimos 12 meses enfim deu uma trégua, aproximando-se um pouco do teto da meta de 6,5% estabelecida pelo governo para 2011. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou de 7,31% nos 12 meses encerrados em setembro para 6,97% em outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Essa é a primeira desaceleração na ótica de 12 meses desde agosto de 2010. As taxas maiores no fim do ano passado vinham de uma pressão de alimentos", disse Eulina Nunes, coordenadora de Índices de Preços do IBGE. Mas, mesmo com o recuo, ainda há risco de rompimento da meta.

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Na avaliação do economista do Royal Bank of Scotland (RBS) Marcelo Gazzano, grupos como alimentação e vestuário devem vir mais pressionados na próxima leitura, em virtude de fatores sazonais. "O câmbio pode pesar na alimentação para o consumidor em novembro e, mesmo sem alimentação, os bens não duráveis devem vir fortes", disse.

A economista-chefe da corretora Icap Brasil, Inês Filipa, lembrou que a desaceleração na taxa de 12 meses já estava prevista pelo Banco Central, quando o número ultrapassava a casa dos 7%. Porém, a economista acredita que a redução vai apenas até abril, quando a taxa acumulada de 12 meses deve chegar a 5,45%. "Depois disso, deve haver um processo de aceleração", alertou Inês.

O IBGE informou que o aumento de 0,43% no IPCA em outubro, que vazou um dia antes da divulgação oficial por falha no sistema do instituto, já teve a influência da desvalorização do real ante o dólar. Ficaram mais caros alguns alimentos e peças de vestuário. Entre os itens alimentícios que registraram aumento de preços estão café e derivados de soja e milho. "Em geral, [o impacto da desvalorização do real] começa mesmo nos alimentos", afirmou Eulina. "Produtos importantes, como café e óleo de soja, subiram. E aí já se denota o efeito do dólar. Apesar de as commodities estarem caindo no mercado internacional, no mercado interno a desvalorização já está impactando o bolso do consumidor".

Outro segmento que já sentiu o impacto da desvalorização do real foi o de vestuário. "Os produtos importados que inundam o mercado, principalmente os chineses, ficaram mais caros", contou a coordenadora do IBGE. O grupo vestuário teve a maior alta no mês de outubro, de 0,74%, influenciada também pelo aumento nos preços do algodão.

Curitiba lidera ranking do IPCA há oito meses

Fernando Jasper

Com reajustes médios de 1% nos preços de alimentos e de 1,11% nos custos de transporte, a região metropolitana de Curitiba encerrou outubro com inflação de 0,53%. A taxa ficou abaixo da registrada em setembro (0,83%), mas, ainda assim, foi a segunda mais alta do país, atrás apenas do índice de Porto Alegre (0,98%). Considerando-se a taxa acumulada no ano, Curitiba completou oito meses seguidos na liderança do ranking.

De janeiro a outubro, os preços ficaram 6,35% mais altos na média da capital paranaense e cidades próximas, contra uma inflação nacional de 5,43%. Em Porto Alegre e Belo Horizonte, segunda e terceira colocadas, os preços subiram 6% e 5,71%, respectivamente, em 2011. No outro extremo, Belém e três capitais nordestinas exibem os índices mais baixos do país.

Considerando-se o peso dos produtos na formação do índice geral, os principais responsáveis pela inflação curitibana neste ano são, na ordem, os preços de transportes (que tiveram reajuste médio de 7,6% desde janeiro), alimentação e bebidas (6,73%), despesas pessoais (8,59%) e habitação (6,36%). Em todos eles, os aumentos apurados em Curitiba e região superaram com folga as médias nacionais.

No grupo de transportes, os itens que mais pesaram foram combustíveis, com reajuste médio de 7,22%, passagens aéreas (63,74%) e tarifa de ônibus (12,81%) – na cidade de Curitiba, o preço da passagem foi reajustado de R$ 2,20 para R$ 2,50 no começo do ano. Em alimentação e bebidas, o aumento que mais pesou foi o da refeição fora de casa, que saltou 15,6% no acumulado de janeiro a outubro.

Gastos com empregado doméstico e recreação – ambos subiram cerca de 9% – jogaram para cima a taxa média da categoria de despesas pessoais. Os desembolsos com habitação, por sua vez, foram inflacionados pelos aumentos no aluguel (de 9,09%, em média) e na taxa de água e esgoto, que neste ano foi reajustada pela Sanepar e ficou quase 16% mais cara, conforme a medição do IPCA.

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