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A inflação no Brasil cresceu acima do projetado pelo mercado, em uma alta influenciada pela crise no petróleo ocasionada pela guerra no Oriente Médio. Embora o boletim Focus tenha estimado uma alta de 0,7% em março, gerando um acumulado de 4% nos últimos 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 0,88% e 4,14%, respectivamente.
O detalhamento por setor ajuda a entender a relação entre o fechamento do Estreito de Ormuz e a elevação nos preços ao consumidor. Combustível utilizado no modal rodoviário, o principal meio de transporte de mercadorias no país, o diesel subiu 13,9%, o sétimo item mais encarecido no mês, levando a uma alta no setor de alimentos e bebidas (1,56%), com destaque para produtos como feijão (15,40%), cebola (17,25%) e tomate (20,31%).
O ciclo de altas mensais vem acelerando desde o início do ano, levando a uma elevação geral de preços que impacta 333 dos 457 itens estudados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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O índice já foge do centro da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, mas ainda está abaixo do limite de tolerância de 4,5%. Nem mesmo o consumidor que opta por se alimentar em casa foi poupado: a categoria "alimentação no domicílio" apresentou um salto de 0,23% em fevereiro para 1,94% em março, maior variação em mais de um ano. O custo de se alimentar fora de casa também subiu, mas em um ritmo menor, de 0,61%.
O aumento na inflação é sintoma de uma perda no valor do dinheiro de um país. Em meio aos problemas enfrentados pela alta no diesel, o governo anunciou duas subvenções a produtoras e importadoras, com o objetivo de reduzir o preço nas bombas. A observação da elevação dos preços leva o Comitê de Política Monetária (Copom) a adotar a mão pesada na taxa básica de juros (Selic). Na última decisão, o colegiado apontou uma perda de disciplina fiscal no governo federal e, receoso quanto à inflação, decidiu por fixar a taxa de 14,75%, em uma calibração de 0,25% que, apesar de tirar o país do patamar de 15%, não pretende representar o início de cortes.








