
A companhia farmacêutica Pfizer anunciou que deixará de produzir mundialmente a insulina inalável Exubera, seis meses depois de colocá-la no mercado. Segundo a empresa, a novidade, que causou grande expectativa entre médicos e diabéticos, não foi bem aceita pelo mercado e, por isso, o dinheiro investido em sua produção será direcionado para outras iniciativas.
A Pfizer diz que a decisão não foi tomada por razões de segurança médica, e afirma que quem está tomando o medicamento não precisa se preocupar. "Quem está usando o Exubera pode ficar tranqüilo, mas deve procurar seu médico para discutir a substituição do tratamento", afirmou ao G1 o diretor médico da empresa no Brasil, João Fittipaldi.
De acordo com ele, o Exubera não conseguiu romper uma série de barreiras para chegar ao consumidor. Alguns pacientes ficaram desconfortáveis com a forma inalatória e com o tamanho do inalador. "Aquilo que nós víamos como uma grande inovação não foi considerado um grande benefício por pacientes e médicos", diz ele.
O médico endocrinologista João César Castro, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) confirma essa rejeição dos pacientes e acrescenta que o preço do medicamento também não ajudou. "O Exubera custa em média R$ 80 e pode ser usado por mais ou menos um mês. Isso é dobro do preço do tratamento convencional e muitas pessoas preferiram não fazer a troca", explicou ele.
Além disso, a inalação do medicamento não é bem tolerada por pessoas com problemas respiratórios, como rinite, alergias ou gripe. "A expectativa era que a insulina inalável fosse ajudar especialmente as crianças, que não gostam de injeção. Mas crianças vivem com problemas respiratórios, então a idéia não deu muito certo", diz o médico.
De acordo com Castro, a insulina injetável não causa mais tanto incômodo aos pacientes, porque as agulhas estão cada vez mais finas. "O processo é praticamente indolor", diz ele.
A parada na produção do medicamento, segundo a Pfizer, não será imediata. Médicos e pacientes estão recebendo comunicados da empresa avisando da mudança. "Não vai faltar Exubera nas prateleiras até que todos os pacientes já tenham feito a transição para outra forma de tratamento", afirma o diretor da farmacêutica.
Pessoas que atualmente estão consumindo o Exubera devem procurar seus médicos para trocar a forma de obtenção de insulina. Mas podem ficar tranqüilos, porque não há risco detectado para a saúde até agora.
A licença de comercialização da insulina inalável será agora devolvida pela Pfizer à empresa americana que detém os direitos sobre a tecnologia, a Nectar. A companhia afirma que o dinheiro investido na produção será redirecionado para outros produtos, mas que a pesquisa sobre outras formas de obtenção de insulina (por exemplo, através de comprimidos) continuarão sendo estudadas.



