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Loja da Microsoft em Syndney, na Austrália. | /Divulgação
Loja da Microsoft em Syndney, na Austrália.| Foto: /Divulgação

O humilde teclado não mudou muito desde que foi inventado. Mesmo os equipamentos físicos e os digitais que você usa em seu smartphone ainda são quase idênticos – exceto pelos emojis que nos acostumamos a colocar em uma mensagem de texto ou tweet.

Durante anos cientistas vêm tentando compreender o código que existe por trás da linguagem, uma “tecnologia” bastante complicada que, se conseguíssemos ensinar os computadores a usá-la, transformaria nossa maneira de interagir com as máquinas. E a Microsoft está investindo pesado nessa área.

A gigante do setor de softwares está comprando uma startup britânica chamada Swiftkey por US$ 250 milhões. Se você nunca ouviu falar nela, a empresa criou aplicativo de teclado muito popular, que oferece a próxima palavra que ele pensa que você quer digitar em uma frase.

O aplicativo se tornou rapidamente um best-seller logo depois de seu lançamento, em 2008. O que o distingue de outros programas similares é a forma como ele tenta imitar a mente humana, reconhecendo padrões, avaliando significados e fazendo uso do histórico de digitação para adivinhar o futuro. Em vez de buscar suas sugestões de palavras em um banco de dados de palavras existentes, o Swiftkey analisa o estilo particular de redação do usuário para ajudá-lo no futuro.

Essa tecnologia em que as máquinas aprendem, sob a gestão da Microsoft, deve se espalhar para praticamente todos os produtos da companhia. Imagine se o Word ou o Outlook antecipassem o que você gostaria de dizer em um documento ou e-mail. O sistema poderia ser integrado também aos aplicativos que a Microsoft adquiriu recentemente, como o Wunderlist, uma espécie de lista de afazeres, ou o Sunrise, um calendário.

“A tecnologia de antecipação de texto da Swiftkey se alinha com os investimentos e ambição da Microsoft no desenvolvimento de sistemas que, com o controle do usuário, possam trabalhar em seu lugar”, divulgou a empresa.

Analisando milhões de toques no teclado não ajudará a Microsoft somente a adivinhar sua próxima palavra em uma frase; isso também dará à companhia acesso a uma quantidade imensa de dados comportamentais que hoje em dia são tratados como se fossem dinheiro vivo entre as empresas de tecnologia. Provavelmente essa troca será vantajosa para muitos consumidores, assim como muitos de nós estamos dispostos a deixar o Google “minerar” nossos históricos de buscas, e o Facebook ver com que conversamos. Mas isso de fato dá à Microsoft um diferencial na indústria da tecnologia.

Esse investimento ocorre em um cenário mais amplo, de uma corrida para se desenvolver a melhor tecnologia de inteligência artificial. Um dos objetivos do Google tem sido desenvolver um serviço que possa antecipar as necessidades de informações do usuário antes mesmo que ele se dê conta delas – como a previsão do tempo e dados de trânsito antes de um compromisso.

A indústria automotiva também está investindo em tecnologias de robótica para se preparar para um mundo de carros sem motoristas que podem se mover de acordo com a demanda. Até mesmo Mark Zuckerberg, criador do Facebook, tem se dedicado a desenvolver seu próprio projeto de inteligência artificial. Se ele for bem-sucedido, é quase certo que a tecnologia será integrada aos sistemas da rede social.

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