O início do ciclo de alta dos juros no segundo trimestre não impedirá que os investimentos mostrem nova aceleração nos resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do período, impulsionados pela importação e produção de máquinas e equipamentos e pela expansão da construção civil. Para economistas, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, ou investimentos) manterá, pelo menos em médio prazo, crescimento bem acima do PIB e do consumo, o que garante mais oferta para atender à demanda e, assim, menor pressão sobre os índices inflacionários.
O IBGE divulgará os dados do PIB do segundo trimestre e os resultados fechados do primeiro semestre de 2008 no dia 10 de setembro. Na ponta do lápis do economista Bráulio Borges, da LCA, o crescimento da FBCF será recorde na série trimestral do IBGE, atingindo 18% no segundo trimestre ante igual período do ano passado.
Também otimista, o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, projeta um crescimento de 16,6% na FBCF no segundo trimestre. Já o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-diretor de política econômica do Ministério da Fazenda, Julio Sérgio Gomes de Almeida, projeta um aumento no mesmo ritmo do primeiro trimestre, ou seja, em torno de 15%.
Em todas as projeções, o ponto em comum é que os investimentos devem crescer o triplo do PIB no período cujas estimativas giram em torno de 5,3% a 5,7% ante igual trimestre de 2007. Bráulio Borges acredita que "a grande novidade" dos resultados no segundo trimestre será a aceleração na expansão da construção civil que, segundo ele, terá um aumento de 10,1% no PIB, ante uma alta de 8,8% no primeiro trimestre. Ele explica que o setor está sendo impulsionado especialmente por obras privadas de infra-estrutura.
A FBCF é composta pelos resultados de importação e exportação de máquinas e equipamentos e pelo desempenho da construção civil. Se confirmada, a expansão da construção civil no PIB do segundo trimestre será a maior desde o segundo trimestre de 2004.
A perspectiva de expansão da construção civil também é destacada por Sérgio Vale. Segundo ele, a expansão na construção está relacionada "com as perspectivas positivas de longo prazo da economia brasileira".
Gomes de Almeida aponta a demanda aquecida e o crescimento econômico como os fatores que garantem um forte crescimento dos investimentos. Segundo ele, as empresas não mudam planos de investimento facilmente e, portanto, os efeitos na alta da Selic só devem chegar a partir dos dados do terceiro trimestre.



