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As empresas que mais apostam no Brasil e os maiores investimentos em cada região

Investimentos Brasil
Montadoras estão com planos robustos de investimentos para o Brasil. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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Fabricantes de celulose, mineradoras e a indústria automobilística dominam a lista dos maiores investimentos que a iniciativa privada programa para o Brasil nos próximos anos.

Apesar dos problemas do Brasil e da turbulência no cenário externo, as empresas mantêm uma carteira robusta de planos já em andamento ou a serem executados até 2030.

Na área de celulose, estão previstos quase R$ 100 bilhões em projetos no Centro-Oeste e Sul do país. Montadoras de veículos anunciaram perto de R$ 70 bilhões em três regiões. Investimento ainda maior é programado pelo setor de mineração. Também há projetos de grande porte na área de energia.

Somente entre os dias 15 e 20 de abril, foram anunciados R$ 37,5 bilhões em investimentos no país nos próximos anos, segundo monitoramento do banco Bradesco. O maior deles, de R$ 23,5 bilhões, deve ser realizado até 2027 pela Enel Brasil para modernização e automação da rede elétrica.

Confira a seguir quais são e onde estão os principais investimentos produtivos previstos e em andamento para a economia brasileira nos próximos anos.

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Centro-Oeste: investimentos tornam região polo da celulose no Brasil

A indústria da celulose se consolida como principal motor de investimentos no Centro-Oeste, segundo a Tendências Consultoria. Projetos bilionários estão em andamento ou previstos para Mato Grosso do Sul, que está se tornando um polo do setor.

Em 2023, a Suzano concluiu o Projeto Cerrado, em Ribas do Rio Pardo (MS), com investimento de R$ 22,2 bilhões. A nova fábrica produz celulose de eucalipto.

A chilena Arauco está construindo em Inocência sua primeira fábrica de celulose no país, ao custo de R$ 26,5 bilhões. Em fase de terraplanagem, a unidade terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de fibra de eucalipto por ano e deve começar a operar no último trimestre de 2027.

A Bracell também avança na região, com planos de investir R$ 23,2 bilhões na construção de uma fábrica em Água Clara, com capacidade de 2,8 milhões de toneladas anuais. O projeto está em fase de conclusão dos estudos de impacto ambiental, previstos para este ano. A empresa avalia ainda a possibilidade de instalar-se em Bataguassu.

Outro grande investimento previsto para a região é o da LHG Mining, do grupo J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista. O BNDES aprovou no segundo semestre do ano passado financiamento de R$ 3,7 bilhões para a construção de balsas e empurradores destinados ao transporte de minério pelos rios Paraná e Paraguai, para a LHG Logística, braço da mineradora. A previsão é de que as embarcações sejam entregues em até quatro anos.

O anúncio remete a políticas de governos anteriores do PT, quando o BNDES atuou como principal financiador do setor naval brasileiro. Muitos dos estaleiros que receberam financiamentos da instituição acabaram entrando em recuperação judicial, como a Enseada, do grupo Novonor (ex-Odebrecht).

Contratada pela LHG Logística para construir barcaças, a Enseada está em recuperação judicial desde 2019 e busca quitar aproximadamente R$ 3 bilhões em dívidas.

Sudeste: petróleo e montadoras em expansão

Um consórcio liderado pela norueguesa Equinor, com participação da chinesa Repsol Sinopec e da Petrobras, está investindo US$ 9 bilhões para desenvolver o projeto Raia, destinado à exploração de gás natural. Localizado a 200 km da costa, no pré-sal da Bacia de Campos (RJ), o projeto deve iniciar operação em 2028, podendo suprir 15% da demanda nacional de gás.

Outro projeto relevante desenvolvido pela Equinor, em parceria com ExxonMobil e Petrogal Brasil, é o campo de Bacalhau, na Bacia de Santos (SP). O investimento de US$ 8 bilhões na primeira fase deve ser concluído este ano, com expectativa de produção de 220 mil barris diários. O navio-plataforma responsável pela extração, construído em Cingapura, chegou ao Brasil em fevereiro.

A indústria automobilística também realiza investimentos expressivos no Sudeste. Preocupações ambientais e a concorrência chinesa motivaram montadoras a anunciar, entre o fim de 2023 e o primeiro trimestre de 2024, uma série de investimentos a serem realizados até 2032.

A Stellantis aplicará R$ 32 bilhões no Sudeste até 2030. Os recursos serão destinados ao polo automotivo de Betim (MG), a Porto Real (RJ) e à unidade de Itaúna (MG), com a contratação de 1,5 mil trabalhadores. O foco será em veículos híbridos, que "se encaixam muito com a realidade brasileira", segundo declarações de Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis para a América do Sul à CNN Brasil.

A Volkswagen pretende investir R$ 13 bilhões nas fábricas paulistas até 2028. O maior volume de recursos – R$ 7,2 bilhões – será direcionado à unidade de São Bernardo do Campo, para a produção de dois novos veículos, com lançamento previsto para 2026 e 2027. O restante será aplicado nas fábricas de Taubaté e São Carlos.

Sul: diversificação de investimentos

Os investimentos em papel e celulose no Brasil não se limitam a Mato Grosso do Sul. O maior investimento privado programado para o Sul nos próximos anos, segundo a Tendências Consultoria, é a implantação de nova unidade industrial da multinacional chilena CMPC.

O grupo anunciou em abril do ano passado investimento de R$ 24 bilhões em Barra do Ribeiro (RS), com capacidade anual de 2,5 milhões de toneladas de celulose branqueada de eucalipto. O projeto deve gerar aproximadamente 12 mil empregos durante as obras, que se estenderão até 2029, e 1,5 mil vagas diretas e indiretas quando em operação.

A CSN Mineração está investindo R$ 3 bilhões na instalação de uma fábrica de cimento e calcário em Itaperuçu, na região metropolitana de Curitiba. O projeto foi apresentado ao governador Ratinho Jr. (PSD) em agosto e recebeu aval da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná em janeiro, avançando no processo de licenciamento ambiental.

A Volkswagen direcionou R$ 3 bilhões à unidade de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, parte do aporte de R$ 16 bilhões que a multinacional alemã programou para o Brasil. Os recursos estão sendo aplicados no desenvolvimento de linhas de produção de dois novos veículos.

Norte: Vale lidera com maior investimento no Brasil

Um dos maiores investimentos no Brasil para os próximos anos será realizado pela Vale. Uma das maiores mineradoras do mundo anunciou em fevereiro a intenção de investir R$ 70 bilhões até 2030 na região de Carajás, responsável por mais da metade da produção da empresa. O objetivo é expandir a produção de minério de ferro e cobre, além de investimentos em tecnologia, saúde, segurança e sustentabilidade.

A Grão Pará Energia, joint-venture entre o grupo Mafra e a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), planeja aplicar R$ 2 bilhões até 2029 na construção de uma unidade para produção de etanol de milho em Redenção (PA). O empreendimento receberá incentivos do governo estadual, aprovados em dezembro pela comissão estadual de política de incentivos.

Outro dos grandes investimentos previstos para o Norte, segundo a Tendências Consultoria, é da Valgroup, do segmento plástico. Ela pretende investir R$ 565 milhões na instalação de uma fábrica na Zona Franca de Manaus para produzir tintas e vernizes para impressão digital, filmes plásticos e recipientes PET.

Mais investimentos estão previstos para a capital amazonense. O Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam) já aprovou 42 projetos para o polo industrial de Manaus neste ano, totalizando R$ 1,5 bilhão em investimentos. O maior deles é da multinacional americana Procter & Gamble, que investirá R$ 291 milhões na produção de escovas dentais e produtos para barbear.

Nordeste: energia renovável e automóveis

Dois dos três maiores investimentos privados previstos para o Nordeste estão nas áreas de energia e combustíveis, segundo a Tendências Consultoria.

A Acelen, controlada pela Mubadala Capital (gestora ligada ao fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos), investirá US$ 3 bilhões na implantação de uma unidade de produção de combustíveis renováveis a partir da macaúba, planta brasileira com baixo consumo hídrico e alto teor energético.

O empreendimento será instalado na refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde (BA). O objetivo é produzir a partir de 2027 dois tipos de combustíveis: o HVO (óleo vegetal hidratado), alternativa ao diesel, e o SAF (combustível sustentável de aviação), cujo uso parcial se tornará obrigatório a partir de 2027, com substituição total do querosene de aviação prevista para 2050.

A Stellantis está aplicando R$ 13 bilhões na expansão da cadeia de fornecedores, novas tecnologias e lançamento de produtos na unidade de Goiana (PE) até 2030.

Outro investimento da indústria automobilística no Nordeste do Brasil é o da montadora chinesa BYD, que ocupa as antigas instalações da Ford em Camaçari (BA), investindo R$ 5,5 bilhões. A unidade deve iniciar operações ainda neste ano.

A indústria petrolífera mantém expectativas de expansão na região e planeja investimentos estratégicos na Margem Equatorial. A Petrobras planeja explorar e produzir nessa área, mas depende de autorizações ambientais.

Oportunidades para o agronegócio surgem na região conhecida como Sealba (Sergipe, Alagoas e Bahia). São 171 municípios com condições de solo e clima favoráveis para a produção agrícola, especialmente grãos.

"São regiões de acesso facilitado, principalmente com a malha rodoviária para o transporte dos grãos para os portos e para os centros consumidores do país", explica Georgia Oliveira, CEO do portal Chãozão, especializado em vendas de imóveis rurais.

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