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Isentos de IR, LCIs, LCAs e CRIs ganham espaço

Esses títulos de renda fixa têm algumas vantagens. Mas os valores mínimos de aplicação ainda são obstáculo para sua popularização

Uma aplicação conservadora, com rendimentos líquidos próximos ao DI e com rendimentos isentos de Imposto de Renda. Se o leitor pensa que essa é uma descrição da caderneta de poupança – que, com a queda da Selic, está quase equiparada aos investimentos de renda fixa – está enganado. As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Agrícola (LCA), além do Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), se encaixam direitinho na definição. Relativa­mente novas, elas vêm ganhando popularidade nos últimos meses.

"A demanda por esses produtos tem crescido muito, porque, além de facultar o pagamento do imposto, a taxa é líquida para o cliente. A maior barreira é que, em média, o volume de exigências dos bancos é elevado, impossibilitando a participação de pequenos e médios poupadores", explica o diretor da Diversinvest, empresa de consultoria em planejamento e investimento, Raul Ribas. Esse investimento inicial não tem impedido os bancos de oferecerem LCIs e LCAs, principalmente a clientes pessoa física.

As LCIs exigem, em média, aplicação mínima de R$ 50 mil, e têm como lastro o crédito imobiliário. Funciona mais ou menos assim: uma construtora qualquer lança um novo empreendimento – um condomínio com vários prédios, por exemplo. A maioria das unidades é vendida por meio de financiamento. Então o banco pega todos esses contratos de financiamento e os transforma em um título que pode ser vendido no mercado – esses são as tais letras. Quem garante o título é o banco emissor. Isso significa que, mesmo que o sujeito que comprou apartamento der calote e não pagar a mensalidade, o banco tem a obrigação de cumprir com o prometido.

As LCAs funcionam de modo semelhante, mas têm como garantia produtos agrícolas, como grãos, máquinas e equipamentos. O aumento da procura por ambas é visto como uma marca da mudança do perfil do investidor no país. "A poupança e o CBD são tradicionais, mas tendem, aos poucos, a ficar para trás por causa de novos produtos. Estamos em um período de transição entre o poupador e o investidor", comenta Ribas. Para ele, o brasileiro ainda confia mais na poupança porque é seguro e tradicional, mas está começando a entender os novos produtos.

As CRIs funcionam de modo um pouco diferente, pois são emitidos por companhia securitizadora, que compra o direito de receber pagamentos de financiamentos dos seus clientes. Elas ainda estão restritas aos chamados investidores qualificados, que têm à disposição mais de R$ 1 milhão. "Mesmo que ainda es­­tejam mais reservadas, as CRIs são interessantes porque são investimentos a longo prazo, para quem não precisa de geração de renda imediata, mas que, em algum tempo, passará a receber parcelas mensais ou semestrais", observa Ribas.

Essas formas de captação atraem os investidores também porque há um processo intenso do segmento imobiliário, que precisa captar recursos para manter seus altos níveis de financiamento. Embora ainda exista a limitação de valores, a tendência é que esses serviços sejam "democratizados". "O governo e os bancos precisam de valores disponíveis para manter o financiamento para imóveis. E, como esses investimentos podem ser usados para esses fins, é interesse dos próprios governantes que, via legislação, haja o fomento aos novos instrumentos", aponta o consultor financeiro Mário Almeida.

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