
A intenção de tornar o Itaú-Unibanco um competidor global deverá passar pela compra de instituições em mercados emergentes, informou Pedro Moreira Salles, presidente do Conselho de Administração do novo grupo, resultado da fusão entre os dois bancos, anunciada anteontem. "Talvez tenhamos mais vantagens comparativas em mercados menos maduros", afirmou.
O novo gigante financeiro brasileiro nasce com ativos de R$ 575 bilhões e carteira de crédito de R$ 225,3 bilhões. É o maior grupo financeiro do Hemisfério Sul e o 17º do mundo.
O Chile pode ser o primeiro alvo do plano de internacionalização do grupo. "É um país onde pensamos em ampliar nossa presença", disse, em teleconferência com analistas, o presidente-executivo do grupo, Roberto Setubal.
Outros destinos já vistos com maior atenção entre os países vizinhos são Colômbia, Peru e México. Apesar da ênfase na América Latina, o executivo não descarta ir atrás de mercados em outras regiões. "Há a possibilidade de fazer incursões em outros países na área de cartão de crédito", afirmou.
Desde a compra do BankBoston, em 2006, o Itaú já atua na Argentina e no Chile e essas operações devem ser ampliadas. "Mas não estamos no México, Colômbia e Peru, que são países com estabilidade econômica." Recentemente, a área de private banking do Itaú declarou interesse em comprar uma instituição no México.
Salles reafirmou que o anúncio da fusão, feito na segunda-feira, foi fruto de um processo de negociação de 15 meses que tinha como principal objetivo formar uma instituição com escala global. "Acho estranho até hoje não ter nascido nenhuma multinacional brasileira da área financeira", disse.
O sócio-líder da área financeira da consultoria KPMG, Ricardo Anhesini, observa que o momento atual, de grande incerteza no cenário internacional, vai impor uma certa dose de precaução às negociações. Para ele, aquele comportamento frenético de antes da crise, em que uma empresa anunciava uma compra e no dia seguinte o concorrente anunciava outra, não deve se repetir. É claro que as instituições vão aproveitar as oportunidades do mercado, até porque os ativos estão tendo grande depreciação, diz ele. "Cada instituição vai avaliar a sua realidade e traçar suas estratégias de forma cautelosa."
Apesar do momento delicado, ele acredita que a internacionalização pode ser uma aposta interessante para os grandes bancos. Mas alerta: isso deve ocorrer apenas depois que o cenário global clarear um pouco. Afinal, internacionalização significa investimento. "Com isso, as grandes corporações brasileiras vão ter mais destaque."



