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Primeira-dama

Janja: de articuladora da campanha à cantora gospel e defensora de Lula

Janja
Janja: protagonismo na campanha e defesa de Lula (Foto: Gilberto Leite )

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A dimensão da participação da primeira-dama Janja da Silva na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ser medida pelos números da reta final do primeiro turno. Entre 16 de agosto e 3 de outubro, ela participou de quase 30 comícios pela reeleição do mandatário.

Após uma trajetória marcada pelo alto envolvimento nas decisões estratégicas da campanha, Janja coroou sua participação com a defesa enfática do marido em duas das principais controvérsias da reta final.

Na disputa envolvendo Nossa Senhora Aparecida, alimentada pela fake news de que Flávio Bolsonaro tiraria da santa o título de padroeira do Brasil, Janja entrou no debate religioso: publicou uma imagem de Lula com Nossa Senhora e, dias depois, apareceu no Planalto usando uma medalha da padroeira. O episódio se somou à sua declaração, feita semanas antes, de que Lula era o “verdadeiro ungido de Deus”.

Na sequência, depois da fala do presidente em Belém, no Pará, sobre mulheres aprenderem a “tomar toque desde pequenas”, - que Lula posteriormente explicou como uma referência a exames ginecológicos -  a primeira-dama entrou na disputa com Nikolas Ferreira (PL-MG). Em Salvador, chamou o deputado de “piá de b*sta” e disse que ele precisava “lavar a boca” para falar de Lula. Dois dias depois, em Minas Gerais, repetiu o ataque e o chamou também de “mentiroso”.

Trajetória e controvérsias de Janja

Antes da campanha, Janja já acumulava exposição nas redes sociais por suas declarações polêmicas, viagens e gafes. Socióloga, ela virou alvo recorrente de críticas por tropeços de português em vídeos e aparições públicas. Em 2024, por exemplo, disse “abrido”, em um evento na Universidade Columbia, e “cidadões globais”, em Nova York. Também usou o termo “faraona” em uma fala sobre o Egito e, em outra ocasião, pronunciou “inresponsável”.

Sem cargo formal na campanha, Janja participou de reuniões internas, despachou diretamente com o presidente do PT, Edinho Silva, e com o marqueteiro Raul Rabelo e interferiu na organização dos atos. Entre outras decisões, partiu dela a ideia de levar a cantora Fafá de Belém ao lançamento da campanha, em São Bernardo do Campo. Reportagem da Folha descreveu uma atuação crescente nos bastidores, com participação na escolha de atrações, na organização dos eventos e em discussões estratégicas da campanha.

Janja passou a discursar com frequência nos comícios e manteve uma agenda própria durante a campanha. Do total de 48 compromissos divulgados entre 16 de agosto e 3 de outubro, sete foram relacionados diretamente às mulheres. Nos eventos eleitorais, sua presença foi concentrada principalmente na defesa das pautas femininas e na tentativa de ampliar a comunicação de Lula com outros segmentos do eleitorado, entre eles os evangélicos.

No o lançamento da campanha, em 16 de agosto, Janja já apresentado aceno aceno a este eleitorado. Ao lado do cantor e pastor Kleber Lucas, cantou o jingle “Tapete Vermelho”, produzido para a campanha de Lula. A música, que apresenta o presidente como “filho do Nordeste” e afirma que ele não precisa de trono porque “é do povo”, foi incorporada à estratégia petista de aproximação com o segmento religioso. Em 22 de agosto, os dois voltaram a cantar a música em um ato no Rio de Janeiro.

A atuação religiosa não surgiu, porém, com a campanha de 2026. Janja já havia afirmado publicamente que se emociona “na missa, com a fala do padre”, mas também “com o tambor” e “com um hino de louvor a Deus”. Em uma entrevista de 2022, ao falar sobre uma fotografia em que aparecia ao lado de imagens de orixás, afirmou que aquilo também a representava.

Em setembro, durante um ato em Teresina, ela afirmou que Lula era o “verdadeiro ungido de Deus”, em resposta ao apoio de Michelle Bolsonaro ao ministro André Mendonça, a quem a ex-primeira-dama havia chamado de “escolhido e ungido do Senhor”.

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