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Redução da jornada

Indústria estima que Brasil pode levar até 30 anos para compensar jornada de 40 horas

Indústria
Estimativa da CNI aponta um longo período necessário para compensar redução da jornada de 44 horas para 40 horas. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

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O Brasil pode levar de 17 a 30 anos para obter o ganho de produtividade necessário para compensar uma eventual redução da jornada semanal para 40 horas, associada ao fim da escala 6x1, de acordo com um estudo divulgado nesta segunda-feira (31) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade simulou os impactos da mudança sobre produtividade, emprego formal e massa salarial.

A projeção considera um cenário em que as empresas mantêm os empregos e os salários, absorvendo integralmente a redução das horas trabalhadas sem cortar a remuneração. Nesse caso, o número total de horas trabalhadas cairia cerca de 7,8%, enquanto a produtividade por hora teria de crescer entre 8,3% e 8,5% para compensar a perda.

“Não existe país que sustente sua competitividade sem produtividade. Ela é o que permite produzir mais e gerar mais valor com os recursos disponíveis. Quando ela é afetada, as empresas sentem mais dificuldade na capacidade de investir, competir e remunerar melhor os trabalhadores”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI.

O estudo da CNI atribuiu esse longo período de compensação ao lento avanço da produtividade brasileira. Entre 1981 e 2024, a produção por hora trabalhada cresceu, em média, 0,5% ao ano, ritmo que levaria aproximadamente 17 anos para alcançar o ganho necessário.

Considerando apenas os últimos seis anos, porém, a situação fica mais distante: a produtividade avançou em média 0,28% ao ano. Mantido esse ritmo, diz a entidade, o período necessário para compensar a redução da jornada se aproximaria de 30 anos.

A produtividade também é influenciada por fatores como tecnologia, qualificação profissional, infraestrutura, inovação e organização dos processos. Um desempenho baixo nessa área dificulta o crescimento da economia, a elevação dos salários e a ampliação dos investimentos, além de aumentar custos e reduzir a capacidade de competição das empresas.

Baixa produtividade do Brasil

Na comparação internacional apresentada no estudo, o Brasil aparece entre os países de menor produtividade. Segundo os dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o país ocupa a 100ª posição mundial em produtividade por trabalhador e a 91ª em produtividade por hora trabalhada.

Economias como Irlanda, Noruega, Estados Unidos e Bélgica apresentam níveis de produtividade entre três e seis vezes superiores aos brasileiros. Para Alban, os números mostram que a duração da jornada não pode ser analisada separadamente da capacidade de produzir mais em menos tempo.

“O desempenho brasileiro mostra que a redução do tempo de trabalho só é sustentável se houver condições que permitam elevar a eficiência econômica. O desafio é bem maior do que condensar em menos tempo o mesmo esforço. São necessárias condições estruturais capazes de tornar o trabalho mais eficiente. E esse ainda é um desafio importante para o Brasil”, disse.

O impacto também varia conforme o setor, já que atividades mais dependentes de mão de obra ou com menor capacidade de reorganização dos processos podem precisar de ganhos maiores de produtividade para preservar o nível de produção. Entre os setores analisados, os avanços necessários seriam:

  • Agropecuária: até 13,6%;
  • Comércio: 10,6%;
  • Indústria extrativa: 10,4%;
  • Construção: 9,8%;
  • Indústria de transformação: 9,3%.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e acaba com a escala 6x1 está pautada para ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta semana, com expectativa de análise na quarta-feira (2) antes de seguir para o plenário. A matéria já foi aprovada na Câmara dos Deputados em maio e ficou parada até o acordo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

Se aprovada na comissão, a proposta precisará ser votada em dois turnos no plenário do Senado, exigindo o voto favorável de pelo menos 49 dos 81 senadores. Em uma eventual aprovação, o texto é promulgado e prevê um prazo de implantação, com redução para 42 horas semanais após 60 dias e de 40 horas semanais após um ano.

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