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Serrinha do Paranoá

Justiça do DF proíbe uso de área ambiental para socorrer BRB

Serrinha do Paranoá estava entre os imóveis que podem ser vendidos ou colocados em fundos de investimentos.
Serrinha do Paranoá estava entre os imóveis que podem ser vendidos ou colocados em fundos de investimentos. (Foto: Yasmin Fonseca/MIDR)

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O juiz Carlos Frederico Marojá de Medeiros proibiu o governo do Distrito Federal de utilizar a Serrinha do Paranoá em operações de investimento ou venda para tentar socorrer o Banco de Brasília (BRB). A decisão foi publicada neste domingo (22), no âmbito da Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).

"Pelo que se constata do noticiário, a população aparenta não concordar em ceder a área da Serrinha para cobrir o rombo ocasionado pela péssima gestão do banco público, a partir de tenebrosas transações com uma empresa que há muito já revelava ações fraudulentas", justificou Medeiros, em referência à compra de carteiras de crédito do Banco Master. Por ser uma liminar de primeira instância, ela ainda pode ser derrubada.

A ação foi movida por deputados e senadores do Partido Verde (PV). De acordo com o magistrado, "a preocupação para com a incolumidade da Serrinha não é tema novo no cotidiano da Vara do Meio Ambiente", envolvendo projetos de duplicação de uma rodovia na região, problemas no tratamento do esgoto e invasões.

Localizada na região do Lago Norte, a serrinha possui nascentes e córregos que fluem do Lago Paranoá, além de trilhas ecológicas e áreas preservadas do Cerrado. Em um estudo, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) destaca a presença do lobo-guará na reserva.

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Sessão que discutiu medidas de socorro ao BRB teve presença de manifestantes e discussões acaloradas no plenário. Sessão que discutiu medidas de socorro ao BRB teve presença de manifestantes e discussões acaloradas no plenário. (Foto: Carlos Gandra/Agência CLDF)

Aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) no início de março, a lei que aprovou medidas para recuperar o BRB autorizou uso de imóveis públicos e a contratação de até R$ 6,6 bilhões em empréstimos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas desde então virou alvo de disputa na Justiça.

A oposição alega que a Câmara Legislativa deu um "cheque em branco" ao governador Ibaneis Rocha (MDB), o que colocaria em risco o patrimônio público do Distrito Federal.

Na última terça-feira, a vitória foi do Executivo. Ibaneis conseguiu derrubar uma liminar obtida pelo PSB que proibiu o governo distrital, de um modo geral, de implementar a nova legislação.

O processo em questão expôs a divergência de entendimento acerca do tema: enquanto a primeira instância viu risco ao patrimônio público, por não haver estudos sobre o teor estratégico dos imóveis, a segunda instância priorizou a "ordem administrativa e econômica", vendo a nova lei como "medida que atende a relevante interesse público primário".

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