Maringá O consultor e escritor americano James Hunter, autor do best-seller O monge e o executivo Uma história sobre a essência da liderança, esteve em Maringá na última sexta-feira participando do Encontro da Habitação 2006. Em sua palestra, o consultor de relações de trabalho apresentou o conceito de Liderança Servidora, desenvolvido ao longo de seus 25 anos de experiência na área.
O livro foi lançado no mercado americano em 1998 e chegou ao Brasil em 2004 pela Editora Sextante. Segundo o próprio autor, ele vende atualmente uma média de 65 mil exemplares mensais no mundo e já foi traduzido para 12 línguas. O sucesso do livro abriu para Hunter as portas de empresas conceituadas no mundo dos negócios e lhe trouxe a oportunidade de palestrar em diversos países.
O monge e o executivo conta a história de John Daily, um homem de negócios que comanda uma grande empresa mas percebe ter fracassado como profissional, pai e marido. Ele decide recuperar sua posição de liderança nas três situações e parte para um mosteiro onde os monges vivem baseados na oração, trabalho e silêncio. A motivação de Daily é um ex-executivo que largou a fama de recuperar empresas quase falidas no meio empresarial para viver no mosteiro.
O segundo livro de Hunter, Como se tornar um líder servidor, foi lançado este ano. A obra é um guia para aplicar os conceito ensinados no primeiro livro. São três etapas para isso: a educação, a identificação de deficiências e o exercício da liderança servidora.
Hunter foi a principal atração do Encontro da Habitação, que reuniu representantes do setor imobiliário de todo país. Durante a entrevista, o escritor comentou achar curioso seu livro ser vendido no Brasil na seção de auto-ajuda, enquanto nos outros países ele fica na prateleira sobre Administração. Ele considera a situação um pouco fora do comum, pois o livro traz idéias para os líderes.
O escritor também salientou que o mais importante na empresa, dentro de seu conceito, são os funcionários mais simples, geralmente aqueles que fazem o primeiro contato com o cliente. Como uma telefonista, pois é ela que vai atender o cliente pela primeira vez e transmitir uma imagem preliminar da empresa.
Gazeta do Povo É válido as empresas designarem para um trabalho um funcionário que não tem a capacidade técnica, mas tem boa capacidade para lidar com pessoas?James Hunter Isso acontece sempre para o líder. A competência emocional é sempre mais importante. Há 10 ou 20 anos, os técnicos conseguiam ser chefes, o currículo valia mais. Isso mudou muito. O homem que deu uma virada na IBM não sabia nada de computadores e trabalhava numa fábrica de biscoitos. Ser um grande líder é mais que ser o maestro da orquestra. Você não precisa saber tocar todos os instrumentos, mas fazer as pessoas tocarem em conjunto.
Algumas pessoas só tomam a iniciativa de mudanças de comportamento quando estão em crise ou com problemas. O que fazer para melhorar sem passar por uma crise?Poucas pessoas têm a humildade de mudar sem dor, sem crise. Ela faz as pessoas agirem. A dor de dente te leva a um dentista. A espiritual te leva para uma igreja. Às vezes, a crise é necessária para fazer as pessoas agirem. A crise não é necessária, mas ajuda.
Um funcionário que quer crescer e não tem oportunidades na empresa deve falar sobre isso com o chefe ou mudar de emprego?Pode ser as duas opções. A minha sugestão é que este funcionário tente melhorar, se preparar para o diálogo e liderar um processo de ascensão na empresa. As pessoas querem mudar o mundo, mas não querem mudar a si mesmas.
Qual a diferença entre poder e autoridade?Melhor é ter as duas coisas. O chefe tem força, tem poder. A autoridade é diferente, é ter influência nas pessoas. A liderança é influência, a habilidade de inspirar as pessoas e influenciar para agir. Os gerentes têm poder, eles agem da cabeça para baixo e não conseguem unir a cabeça e o coração. A liderança é a habilidade de tocar a pessoa e entusiasmá-la.



