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crise mundial

Líderes propõem linha dura na zona do euro

Angela Merkel, da Alemanha, e o francês Nicolas Sarkozy vão sugerir penalidades automáticas a países com déficit acima de 3% do PIB

Merkel e Sarkozy querem discutir sanções a gastadores em reunião de cúpula da União Europeia ainda nesta semana | Lione l Bonaventure/AFP
Merkel e Sarkozy querem discutir sanções a gastadores em reunião de cúpula da União Europeia ainda nesta semana (Foto: Lione l Bonaventure/AFP)

Alemanha e França fecharam um pacote que, esperam, irá salvar o euro e a economia dos 17 países que usam a moeda comum. As medidas – que incluem mudanças em tratados da União Europeia, mais controle sobre as contas dos países e punição automática para quem não respeitar o limite de 3% do PIB para o déficit público – serão analisadas em reunião dos líderes do continente na próxima sexta. Ironicamente, alemães e franceses seriam punidos com seus déficits atuais.

Para investidores, a reunião é a última chance de os políticos mostrarem que irão tomar as medidas necessárias para evitar o colapso da moeda e a quebradeira de países como Itália e Espanha. "Esse pacote mostra que estamos absolutamente determinados a manter o euro como uma moeda estável", afirmou Angela Merkel, chanceler alemã, em entrevista ao lado do presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Setor privado

Os dois, que governam as maiores economias do continente, disseram que é hora de reconquistar a confiança dos mercados e mostrar que é seguro investir na Europa. Para isso, afirmaram que não se repetirá o caso da Grécia, em que os detentores de títulos públicos do país terão de aceitar um calote de 50% no que têm a receber. A divisão do ônus com os credores privados sempre foi uma bandeira da Alemanha. Mas o medo de que o modelo grego se alastrasse para outros países endividados fez com que os investidores exigissem juros cada vez maiores para emprestar à maioria das nações europeias.

Também com a intenção de reconquistar a confiança, o pacote de Merkel e Sarkozy exige que todos os países incluam em suas Constituições um limite para o deficit público (despesas menos receitas) que não poderá ser maior que 3% do PIB. Quem passar desse limite será automaticamente punido pela UE. Poderá ter as finanças monitoradas, pagar multas e perder verbas do fundo de infraestrutura.

Os dirigentes de Alemanha e França sabem que tratados estruturais da UE terão de ser alterados. Mas não revelaram como. Disseram que gostariam que as medidas fossem adotadas por todos os 27 países do bloco – o que seria difícil e muito demorado. Se for entendido que as mudanças significam transferência de poder dos estados para a UE (por exemplo, sobre o controle das finanças), serão necessários referendos populares em países como Reino Unido e Irlanda.

Outra possibilidade seria emendar tratados e fazer com que as medidas valham só para os 17 membros da zona do euro. "Preferimos um acordo entre os 27, mas pode ser restrito aos 17", disse Merkel. O pacote e novas medidas de austeridade na Itália e na Irlanda agradaram aos mercados. Bolsas subiram, e caíram os juros pagos em títulos da Espanha e Itália.

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