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Cultura

Livrarias crescem 10% com ajuda dos best-sellers juvenis

Fenômenos de vendas, como a série Crepúsculo, atraem novos leitores e fazem setor passar longe da crise

Megastore da Saraiva no Shopping Mueller: com perspectiva de aumento na renda do brasileiro em 2010, procura por livros também deve crescer | Priscila Forone/ Gazeta do Povo
Megastore da Saraiva no Shopping Mueller: com perspectiva de aumento na renda do brasileiro em 2010, procura por livros também deve crescer (Foto: Priscila Forone/ Gazeta do Povo)

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Veja gráfico com a evolução de vendas das livrarias |

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Veja gráfico com a evolução de vendas das livrarias

Os "vampiros paz e amor" criados pela escritora norte-americana Stephenie Meyer caíram nas graças de muitos livreiros Brasil afora. Embalados pelo sucesso do filme lançado no fim de 2008, os quatro livros da série Crepúsculo ajudaram as livrarias a esquecer a crise econômica e crescer quase 10% no ano passado – desempenho bem superior ao do conjunto da economia, cuja taxa de expansão provavelmente ficou próxima de zero.

"Se com crescimento zero do PIB [Produto Interno Bruto] nossa receita avançou bem, com o PIB crescendo 5% a tendência é de avançarmos ainda mais", prevê o presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL), Vítor Tavares. Levantamento da ANL mostra que o faturamento médio do segmento cresceu 9,7% no ano passado. Para 2010, a expectativa dos empresários é de expansão ainda mais forte, de 12,2%, em média.

"Nossa receita cresceu 13%. Esse desempenho, em plena crise, clareou os caminhos para 2010. Temos tudo para crescer novamente nesses níveis, algo entre 10% e 15%", estima Marcos Pedri, diretor da Livrarias Curitiba, maior rede do Sul do país. Os números da Saraiva, rede de maior faturamento do país, também são expressos em dois dígitos. O balanço mais recente mostra que, de janeiro a setembro, sua receita bruta cresceu 22,5%. No conceito de "mesmas lojas" – que exclui unidades abertas há menos de um ano, como a "megastore" do Shopping Mueller, de Curitiba –, o avanço foi de 11,8%. "Fatores como renda e emprego tendem a continuar melhorando neste ano, o que favorece o consumo. Então só podemos esperar mais um ano muito positivo", diz o presidente da Saraiva, Marcílio D’Amico Pousada.

Isca

Para Pedri e Tavares, os lançamentos das editoras brasileiras tiveram papel fundamental na expansão recente do mercado editorial – que cresce, sem interrupções, desde 2003. "Hoje, nossas boas editoras publicam os best-sellers mundiais quase simultaneamente, quando não simultaneamente, à publicação no exterior. Para as grandes livrarias, que trabalham principalmente com best-sellers, poucos fins de ano foram tão bons quanto o último", diz o presidente da ANL.

Longe de se incomodar com o que pensam os críticos literários e alguns livreiros mais antigos, o diretor da Livrarias Curitiba não se cansa de exaltar o "mercado novo" que vem sendo aberto por sucessos de público como a série Harry Potter e, mais recentemente, a saga Crepúsculo. "São livros voltados para um público muito jovem, que está ‘mordendo a isca’, no bom sentido. Se queremos que nosso mercado cresça, temos que atrair esse público, estimular o hábito da leitura." No levantamento da ANL, todos os quatro livros da série criada por Stephenie Meyer aparecem entre os dez mais vendidos em 2009. E o gênero infanto-juvenil aparece no topo da lista dos que mais cresceram.

Eletrônicos

Se ainda não causa transtornos aos livreiros, a chegada dos "leitores de livros eletrônicos" – como o Kindle, da Amazon – já é vista como o maior desafio do segmento nos próximos anos. Na opinião de Tavares, só uma base maior de leitores poderá compensar, para os livreiros, a provável popularização das ferramentas eletrônicas. "A médio prazo, elas vão abocanhar uma boa fatia do mercado, prejudicando muito as ‘lojas físicas’. Para conseguir sobreviver, ainda que perdendo espaço, elas terão de contar com uma ampliação do mercado leitor."

Nem todos veem os "leitores eletrônicos" como ameaça. Para Marcílio Pousada, da Saraiva, eles representam uma oportunidade. "A gente acredita, sim, que esse é um mercado que vai existir, e que será importante. Estamos muito atentos a esse fenômeno, estamos nos preparando para ele, e faremos de tudo para liderá-lo também."

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