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profissão reconhecida

Lobby profissional é lícito e muito bem remunerado pelas empresas

Reconhecimento pelo Ministério do Trabalho e Emprego e a expectativa de regulamentação da atividade até o fim do ano colaboram para desmistificar o termo e alavancar a profissão no país

  • Carol Nery Especial para a Gazeta do Povo
Josias Cordeiro é presidente do clube de negócios World Trade Center (WTC) em Curitiba e realiza a atividade de RIG há 12 anos. No WTC, ele representa os interesses de  120 empresas do Sul do país. | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Josias Cordeiro é presidente do clube de negócios World Trade Center (WTC) em Curitiba e realiza a atividade de RIG há 12 anos. No WTC, ele representa os interesses de 120 empresas do Sul do país. Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
 
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É possível ser um defensor dos interesses de empresas públicas ou privadas sem estar presente nos noticiários por relação com escândalos políticos, de maneira profissional e, ainda, muito bem remunerada. O lobby, como ficou conhecido esse tipo de atividade, foi reconhecido como profissão em 19 de fevereiro e passa a integrar o cadastro oficial de ocupações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), sob a denominação de Relações Institucionais e Governamentais (RIG). Debatido há mais de 30 anos, um projeto de lei do deputado Carlos Zaranttini (PT-SP) para a regulamentação da profissão corre na Câmara em regime de urgência e a expectativa é que seja votado até o final deste ano.

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O reconhecimento desta profissão atende a uma lógica de mercado, como avalia a mestre e professora do curso de Ciência Política da Uninter, Audren Azolin, pesquisadora do mercado da política e relações governamentais. “Há milhares de profissionais nesta área no Brasil, que atuam com ética e responsabilidade, representando empresas de variados segmentos”, destaca.

A medida é muito positiva para a sociedade, segundo a docente, por uma série de consequências. “As empresas passam a entender cada vez mais da necessidade de dialogar com o Estado de forma transparente, a formulação das políticas públicas ganha com qualidade de informações e, gradativamente, contribui para a lisura das relações público-privadas, sem qualquer tipo de desmoralização”, diz. “Por outro lado, ainda falta qualificação e a profissionalização pode gerar desequilíbrio em relação a empresas com menos recursos”, acrescenta.

Audren aponta ainda a ascensão do mercado para os profissionais. Mesmo antes do reconhecimento, o segmento registrou um crescimento de 15% em 2017, comenta a professora. “A crise política favorece o cenário, ressaltando a importância da regulamentação [da profissão] para saber quem é profissional e quem é corrupto. As empresas que trabalham eticamente não querem estar nos noticiários e investem na contratação do RIG para dialogar com o governo de maneira aberta.”

Estima-se que exista cerca de 4 mil RIGs no país, aproximadamente 400 cadastrados na Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). A maioria dos profissionais está locado em Brasília (53%), segundo dados da entidade, representando empresas privadas (41%), assim como escritórios de consultorias ou advocacia, órgãos públicos, associações e sindicatos e etc. Os segmentos que mais contratam são da área do agronegócio, farmacêutico e telecomunicações.

Ainda não há um piso estipulado para a categoria, mas o salário inicial para um analista gira em torno de R$ 6 mil, podendo chegar a R$ 25 mil para cargos de gerência e até R$ 50 mil ou mais entre diretores e presidentes.

Áreas de formação mais alinhadas à carreira

Grande parte dos profissionais é das áreas de Direito, Ciência Política, Administração e Relações Internacionais, mas a carreira é aberta a qualquer formação. “Em linhas gerais, a profissão pede um indivíduo capacitado, que tenha profundo conhecimento da empresa e da causa a qual defenderá, saiba dialogar, tenha contatos e monitore diariamente a legislação”, revela o diretor da Abrig Luiz Henrique Bezerra.

O executivo acredita que o reconhecimento pelo MTE abrirá portas para a capacitação dos profissionais, com a criação de cursos na área, como o MBA em Relações Institucionais e Governamentais do ISAE/FGV, e, inclusive, uma graduação específica. “É uma realidade em outros países, como EUA, que têm uma regulamentação desde 1946. O projeto brasileiro é muito moderno. Estamos dentro do cenário, considerando que um país como a Inglaterra, um dos primeiros a falar em lobby, em 1600, regulamentou a profissão em 2015.”

Formado em administração de empresas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o empresário Josias Cordeiro é presidente do clube de negócios World Trade Center (WTC) em Curitiba e realiza a atividade de RIG há 12 anos. Antes atuou na área financeira, como auditor de grandes empresas, o que gerou base em conhecimentos nos setores de finanças, legislação e tributário, fundamentais para a atual função.

“Por vezes chegam ao Congresso discussões muito técnicas e, na maioria das vezes, os parlamentares não estão preparados, pois são mais generalistas. Cabe a nós levarmos uma discussão mais ampla, com dados, estudos e estratégias, aliados a conhecimento de legislação e das operações e dores da empresa”, afirma Cordeiro.

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Josias Cordeiro : há 12 anos atua como lobista.Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

O WTC Curitiba representa 120 companhias do Sul (ao todo são mais de mil em todo país) em áreas como de tecnologia, educação, alimentação, farmacêutica e automotiva. “Conforme a demanda, identificamos os políticos que têm maior viés para lidar com o assunto a ser debatido e fazemos um trabalho multidisciplinar de coleta de informações”, explica.

Em seu relacionamento com o governo, seja em âmbito municipal, estadual ou federal, Cordeiro prefere deixar a parte do networking com as associações de classe. “Acreditamos que esse vínculo deve ser até burocrático, para evitar qualquer problema. Jamais vamos a reuniões sozinhos, mas sempre com representantes do segmento, em agenda e local oficial e durante o dia.”

A profissão em etapas. O que cada um faz?

A estrutura de uma equipe de RIG depende da necessidade e da capacidade de cada empresa ou instituição para dispor seus recursos. Os títulos e atribuições dos cargos variam conforme a política organizacional:

Analista: a função exige seriedade e comprometimento. Responsável por realizar trabalhos técnicos, fazer o monitoramento de temas relevantes no governo, análises de impacto normativo e antecipação de cenários, com o intuito de subsidiar a estratégia da equipe com o máximo de informações úteis.

Coordenador: conduz um ou mais temas, de acordo com a política interna. Tem funções de analista, mas assume outras responsabilidades, como elaborar relatórios, executar tarefas e coordenar trabalhos com outros pares.

Gerente: é o elo entre as definições de objetivos e realizações. Planeja e controla os recursos e as atividades da área, para garantir a conformidade com as normas e alcançar os objetivos corporativos esperados. Faz a gestão das informações geradas pelos diversos setores. Além das contribuições técnicas, que aperfeiçoou com anos de experiência, acompanha processos e resultados e define estratégias.

Diretor: é o principal executivo do departamento. Define políticas e objetivos e conduz a elaboração e implementação dos planos estratégicos e faz recomendações sobre novos investimentos. Decide contratação e demissão, gestão de pessoal, controla orçamento da organização e é muitas vezes o rosto da empresa.

Fonte: Rel Gov em Foco, Abrig.

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