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Por dentro do vale

Conheça as brasileiras que criaram um fundo de US$ 26 milhões no Vale do Silício

Bárbara Minuzzi e Daniela Arruda são as fundadoras da Babel Ventures, empresa criada para investir em startups inovadoras

  • Naiady Piva
Bárbara Minuzzi e Daniela Arruda: duas brasileiras gerindo milhões de dólares no Vale do Silício | Babel VenturesDivulgação
Bárbara Minuzzi e Daniela Arruda: duas brasileiras gerindo milhões de dólares no Vale do Silício Babel VenturesDivulgação
 
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Elas são jovens, são mulheres e brasileiras. E comandam um fundo de nada menos do que US$ 26 milhões no Vale do Silício. Bárbara Minuzzi e Daniela Arruda são as fundadoras da Babel Ventures, empresa criada para investir em startups inovadoras. Com um ano de operação, a Babel já briga com gigantes do ramo. 

O trabalho delas é como um garimpo. Procuram as melhores startups para investir, e assim "multiplicar" o rendimento. O dinheiro entra na conta quando o fundo sai do negócio, em geral com uma venda de sua parcela da empresa. 

O primeiro fundo da Babel levantou US$ 26 milhões e tem seu foco em startups na área de biotecnologia. Foi um estrondo no Vale do Silício. O fundo milionário de "duas imigrantes latinas", descreveu o Huffington Post em uma entrevista feita com as duas. 

Se o mundo das startups é dominado nos Estados Unidos por homens brancos, o mercado de venture capital (onde a Babel está inserida) é ainda mais. Uma pesquisa da TechCrunch estima que elas representa apenas 8% das sócias nas principais firmas de VC do país. 

Para furar essa barreira, a dupla foi na base da tentativa e erro. "Quando você é alguém de fora que não sabe as regras, você simplesmente vai e faz, sendo você mesma", resumiu Bárbara em uma entrevista para o tradicional Today Show, do canal americano NBC.

LEIA MAIS: Como uma engenheira do interior do Paraná conquistou o Vale do Silício

Bárbara contou, em conversa com Maurício Benvenutti, do StartSe, que começou visitando a cada duas semanas a região de São Francisco, onde fica o Vale do Silício. Percebeu que fazer networking, conhecer gente, era fácil. Difícil mesmo era entrar nos melhores clubes, ter acesso aos melhores negócios. 

A mudança no perfil do negócio não teve uma motivação meramente financeira. Daniela explica que as sócias buscavam algo mais, investir em um propósito. E a baía de São Francisco era o local ideal: 

"Uma coisa que fez a gente ir para o Vale é que o mindset das pessoas de lá é muito colaborativo. A gente vai para reuniões e as pessoas sempre perguntam como podem ajudar (inclusive outros fundos, que tecnicamente seriam concorrentes). E estar numa atmosfera assim é sensacional". 

O valor do acesso supera o do dinheiro 

No Vale do Silício o dinheiro é como uma commodity. Abunda em quantia e, ao menor sinal de que um negócio pode dar certo, surgem interessados em injetar grana. 

O brasileiro Gabriel Guimarães, por exemplo, fazia um estágio de verão no Vale quando foi procurado por investidores-anjo. Eles toparam deixar US$ 1,2 milhão parado por um ano, enquanto Gabriel e seu sócio voltaram para terminar a faculdade, em Harvard. 

"No Vale o dinheiro não conta, o que conta é o acesso. Tanto que 5% dos fundos respondem por 95% dos resultados", explica Daniela Arruda. As startups mais promissoras nem chegam às rodadas de investimento. São "fisgadas" pelos investidores de elite antes disso. 

Bárbara se cercou de mentores. Entrou num clube de business, investiu numa primeira empresa para testar, e começou a ouvir propostas de empresas. De 300 a 400 por mês. E se mudou para o Vale, para abrir a Babel. Daniela se divide entre os EUA e Porto Alegre, onde mora sua família. 

Em um ano de fundo, elas já comemoram. Prova de que estão no caminho certo é de que investem em empresas que receberam dinheiro de nomes como Leonardo DiCaprio, Tim Cook, CEO da Apple, e Eric Schmidt, ex-executivo do Google. 

Inovações em biotecnologia 

A Babel Ventures optou por um fundo exclusivo para startups de biotecnologia, para sua estreia. É uma área com muita tecnologia agregada, e alto potencial de disrupção. 

Além disso, a Babel tem como sócio o norte-americano Ryan Bethencourt, um dos fundadores da IndieBio, uma das maiores aceleradores em biotech do mundo. 

Uma das investidas é a Nebia Spa Shower, um chuveiro tecnológico que diz quebrar as móleculas de água, e cria uma sensação de que a ducha cobre uma área do corpo 10 vezes maior do que a da ducha comum (mas com um gasto de até 70% a menos). 

Outra startup, a Wild Earth, produz comidas para pet sem proteína de origem animal. A Cue desenvolveu uma forma de realizar exames de alta complexidade em casa, em um esquema similar à consulta de glicose, muitas vezes utilizadas por pacientes diabéticos. 

LEIA MAIS: Brasileiro de 24 anos sai de Harvard com US$ 1,2 mi para abrir startup no Vale do Silício

Dez anos para apresentar resultados 

O fundo lançado no ano passado pela Babel Ventures tem duração de 10 anos. Os cinco primeiros são para aportes, sendo a primeira metade para investimento, e a segunda para "refound" (colocar mais dinheiro nas empresas que apresentarem os melhores resultados). Os cinco anos restantes são para desinvestimeto. 

A empresa não divulga valores sobre o montante que já foi aplicado em startups. Mas uma parte boa do dinheiro ainda está em caixa. Tanto que não há planos de "engordar" os US$ 26 milhões já captados, por enquanto.

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