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Robô curitibano promete ser solução para evitar milhares de casos de cegueira

Adam Robo é um projeto da startup curitibana Prevention, que pretende impactar três milhões de pessoas até o final do ano com testes rápidos e precisos de visão

  • Carol Nery Especial para a Gazeta do Povo
A startup curitibana Prevention criou o Adam Robo oferece testes rápidos e precisos, por meio de um equipamento portátil, que pode ser levado para áreas remotas . | Divulgação/Prevention
A startup curitibana Prevention criou o Adam Robo oferece testes rápidos e precisos, por meio de um equipamento portátil, que pode ser levado para áreas remotas . Divulgação/Prevention
 
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Com a ideia de encontrar uma solução efetiva para os milhares de casos de problemas de visão, que poderiam ser evitados em boa parte, a startup curitibana Prevention criou o Adam Robo. Lançado em abril deste ano na Expoabióptica 2018, ele oferece testes rápidos e precisos, por meio de um equipamento portátil, que pode ser levado para áreas remotas e disponibilizado para pessoas que sofrem com a falta de suporte de um médico oftalmologista. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) estima que cerca de 100 milhões de pessoas estejam descobertas de atendimento clínico nesta especialidade.

Adam consegue identificar diversos problemas de visão, como miopia, hipermetropia, vista cansada, astigmatismo e até daltonismo. Ele também colabora com a prevenção da cegueira evitável, que compreende 60% dos casos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso significa que da atual população de 1,2 milhão de brasileiros cegos, 720 mil poderiam enxergar se tivessem recebido tratamento de forma precoce, com apoio de um simples teste de visão.

O problema é que a porcentagem de pessoas que têm acesso a oftalmologistas é muito baixa, principalmente no Brasil, observa o fundador e diretor da Prevention, Juliano Santos. “A cada cinco segundos uma pessoa fica cega, sendo uma criança a cada minuto, e não temos ainda uma solução eficaz para evitar que isso aconteça. Queremos não somente conscientizar sobre a saúde visual, mas potencializar o trabalho do oftalmologista”, diz.

Como funciona

O papel do Adam é fazer uma triagem, que leva apenas cinco minutos. Na prática, primeiro é realizado um breve cadastro com dados pessoais do paciente, depois é feita a anamnese, com questionamentos sobre eventuais dificuldades e, finalmente, acontece o teste com base na tabela de Snellen, diagrama em linguagem universal, usada pelos médicos oftalmologistas para avaliar a acuidade visual. O robô também traz escalas de figuras para pessoas não alfabetizadas.

Os resultados são gerados instantaneamente e digitalizados pelo software do Adam por meio de um aplicativo para Android, iOS e web. O Big Data do sistema armazena todo o mapeamento do paciente, com indicação ou não de doença oftalmológica, idade, sexo, escolaridade e localidade. O exame pode ser feito em escolas, postos de saúde ou óticas, por exemplo.

Ao final da avaliação é impresso o resultado, que pode ser acessado por qualquer especialista por meio de um QR Code. “Hoje o tempo médio de consulta é de quatro minutos, quando o ideal seriam de 17 a 20. Se o paciente chega com uma prévia em mãos, agiliza e intensifica o atendimento feito pelo médico, que ganha tempo para dar uma assistência ainda melhor”, afirma Santos.

Startup vendeu 100 unidades do Adam Robo em um mês

A startup Prevention investiu R$ 700 mil no Adam Robo e ficou instalada inicialmente no Workitiba, coworking da prefeitura de Curitiba. Em seguida, passou pelo processo de mentoria do Centro Europeu - Microsoft Innovation Center e, desde janeiro, está incubada na Fiep.

No primeiro mês, a startup vendeu cem unidades da primeira versão do Adam. Entre os interessados, 90% são óticas e 10% médicos oftalmologistas e clínicas especializadas. O equipamento custa R$ 6.480 e pode ser adquirido pelo site www.adamrobo.com.br. Há ainda a opção do aluguel, por R$ 437 por mês.

A meta é vender mil unidades até o final de 2018 e impactar cerca de três milhões de pessoas, com um faturamento na casa dos R$ 6 milhões. Até 2022, a Prevention espera ter 10 mil Adams espalhados pelo país, levando atendimento preventivo a pelo menos 30 milhões de pessoas ao ano e chegando ao montante de R$ 60 milhões em faturamento.

São três opções do equipamento: Adam Robo, para consultórios, clínicas, óticas, postos de saúde, indústrias; Adam Robo Júnior, para exames em crianças de 3 a 12 anos, indicado para escolas e clínicas pediátricas; e Adam Robo Mobi, com simulações de situações no trânsito, ideal para uso no Detran ou por empresas que admitem motoboys e motoristas.

Santos revela que há prospecções internacionais com cerca de 20 países, como Espanha, Portugal, Índia e Emirados Árabes, que devem ser contemplados com o robô nos próximos anos, assim que a comercialização do produto estiver consolidada no Brasil.

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Divulgação/Prevention

Adam participa de competição nos EUA e de missão na África do Sul

Uma das invenções vencedoras da etapa latino-americana da competição Imagine Cup, promovida pela Microsoft, o Adam Robo estará na etapa final da competição, entre 20 e 26 de julho, em Seattle (EUA), concorrendo com outros 33 projetos do mundo inteiro. Para a disputa será levada uma versão mais avançada de Adam, adianta Santos.

O robô está sendo ensinado a identificar possíveis doenças. “Por meio de fotografia enviada para a nuvem, o software faz uma avaliação para posterior análise e validação do oftalmologista.” A aplicação acontece em parceria com professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que estão autenticando as imagens.

Outra competência apresentada será o teste automatizado, de maneira mais humanizada. “O paciente poderá ser atendido por Adam por meio de conversação, sem a necessidade de ter um operador para auxiliar o processo. Para a competição, o robô irá interagir em inglês.”

O grande campeão receberá mais de 100 mil dólares, somando dinheiro, viagens e créditos em nuvem, como subsídio para desenvolvimento do projeto, além de mentoria do CEO da Microsoft, Satya Nadella.

Logo em seguida, Adam será levado para a África do Sul, a convite do consulado do país, por onde serão iniciados os atendimentos a uma população de 409 mil habitantes de 25 países do continente africano.

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